Passagem de ano: a festa que se prolonga por 26 horas

Da Samoa à Samoa Americana, separadas por 80 quilómetros, durante mais de um dia os habitantes do planeta fazem a festa ao novo ano. As ilhas desabitadas de Baker e Howland são as últimas a mudar o dia.

Se fosse possível viajar ao longo das longitudes do globo, acompanhando as passagens do ano em cada fuso horário, a festa durava 26 horas: 2019 já começou na Samoa e na ilha de Kirimati, na República do Kiribati, no oceano Pacífico, eram 10.00 desta segunda-feira; e chegará às 12.00 de terça-feira em Lisboa, quando por fim as ilhas desabitadas de Baker e Howland, que fazem parte do território das "ilhas menores distantes", administradas pelos Estados Unidos, mudarem o calendário para 1 de janeiro de 2019.

Quinze minutos depois dos habitantes de Apia, a capital de Samoa, terem celebrado a entrada em 2019 (o que só acontece desde 2012, mas já lá vamos), as ilhas Chatham, da Nova Zelândia, entraram também no novo ano, 45 minutos antes de quase todo o território neozelandês, juntamente com os arquipélagos das Fiji e de Tonga. É Auckland a primeira grande cidade em todo o mundo a lançar foguetes.

A partir daí é seguir o fuso: pequenos territórios da Rússia, o arquipélago de Tuvalu, na Polinésia, ou Majuro, nas ilhas Marshall, também já entraram em 2019 (desde as 12.00 de Lisboa).

A costa sudeste da Austrália - e o icónico fogo-de-artifício na baía de Sydney, com a sua Ópera - já recebeu o ano novo (eram 13.00 em Lisboa). Mas num país que é um imenso continente, os seus habitantes festejam o ano em cinco horas diferentes.

Timor-Leste recebe 2019 pelas 15.00 de Lisboa, à mesma hora que Seul, Tóquio ou Pyongyang.

É na Samoa Americana que se pode festejar (com outras pessoas) a última passagem de ano: já os portugueses entraram no ano de 2019 há 11 horas quando as gentes de Pago Pago celebram a passagem de ano. A 80 quilómetros de distância está Apia, a capital da Samoa independente, onde já será dia 2 de janeiro.

Esta diferença horária explica-se por uma alteração que o governo das ilhas de Samoa tomou no final do ano de 2011, alterando o fuso horário do país. Em causa, argumentou o primeiro-ministro do país, Tuilaepa Sa'ilele Malielegaoi, estava a necessidade de aproximar o fuso horário com os dois principais parceiros comerciais, a Austrália e a Nova Zelândia.

"Ao fazer negócios com a Nova Zelândia e com a Austrália estamos a perder dois dias úteis por semana", explicou então o todo-poderoso chefe de governo ao jornal Samoa Observer. "Enquanto é sexta-feira aqui, é sábado na Nova Zelândia, e quando estamos na igreja, ao domingo, já se começou a negociar em Sydney e em Brisbane", defendeu o homem que está no poder desde 1998.

Para corrigir o fuso horário do país, os habitantes de Samoa não celebraram o dia 30 de dezembro de 2011. Passaram diretamente de 29 para 31 de dezembro e entraram em 2012 antes de toda a gente.

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