"Nunca quis derrubar o aqueduto de Segovia, foi um teste"

Uma campanha para derrubar o aqueduto de Segovia, em Espanha, agitou as redes sociais e os media espanhóis. Mas o seu autor, Jesús Arroyo, apenas quis testar como uma "proposta extrema e absurda" gerava opinião. E gerou. Muitas pessoas contra e muitas a favor, noticia em 25 órgãos de comunicação social e que não lhe perguntaram o que havia de verdade nesta história.

"Esta campanha foi uma experiência comunicacional e estratégica, do pós verdade. O que pretendi foi demonstrar que hoje em dia é muito fácil falar de um qualquer tema, inclusive de um assunto extremo como derrubar um aqueduto que é património da Unesco, e gerar opinião, uma opinião artificial", explicou ao DN Jesús Arroyo, economista e consultor de comunicação para empresas e políticos.

Lançou a campanha no Twitter no dia 20, também no Facebook, e criou uma petição que não para de somar subscritores. Defendia que o aqueduto de Segovia devia ser demolido por se tratar de um "símbolo da opressão dos romanos". E, em três dias, obteve 800 mil visualizações, seis mil "gostos", quatro mil partilhas e três mil comentários.

Foi notícia em 25 órgãos de comunicação social, nomeadamente no La Vanguardia, com base nos seus post das redes sociais. Não o contactaram. "Apenas um ou dois meios de comunicação social em Espanha falaram comigo, o que é estranho mas não os culpo por isso. Pretendi demonstrar que hoje em dia é muito fácil falar-se de qualquer tema, por mais brutal e improvável que seja, e criar uma opinião artificial", contou por telefone ao DN minutos depois de lhe termos enviado uma mensagem pelo Facebook.

O consultor em comunicação compara a reação à sua falsa campanha com o que se passou com um programa radiofónico na costa leste dos Estados Unidos simulando uma invasão de extraterrestres baseado no livro de ficção "A guerra dos mundos ", de George Wells. Em 1938, desencadeou o pânico na população, hoje provocou a polémica nas redes sociais.

Arroyo escolheu o aqueduto de Segovia por "não ser um assunto religioso ou outro que gerasse polémica", obtendo grande agitação nas redes sociais. Muitos a elogiar a iniciativa, juntando argumentos, e outros a critica e achar ridículo ou que era uma brincadeira, também leu insultos. Ele, que reside em Madrid, foi considerado "persona non grata" em Segovia. E até houve quem achasse que a demolição estava em curso por existir uma grua numa obra próxima do monumento.

O aqueduto de Segovia data do 1.º século e é um dos monumentos mais importantes e bem preservados deixado pela civilização romana na Península Ibérica. Elevado a monumento nacional em 1884, foi declarado património da Humanidade pela Unesco em 1985.

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