Nissan aprova reforma na gestão para evitar novo 'caso Ghosn'

Ghosn, que se tornou presidente da Renault, Nissan Motor e Mitsubishi Motors, é processado no Japão por alegadas irregularidades financeiras durante o seu mandato na Nissan.

A assembleia-geral de acionistas da Nissan aprovou hoje a reforma dos seus órgãos de gestão para prevenir a concentração de poder que acumulou até 2018 o ex-presidente, Carlos Ghosn, acusado de crimes financeiros.

A votação foi realizada no final da assembleia-geral ordinária da Nissan na cidade de Yokohama, a sul de Tóquio, que durou duas horas e meia e contou com a presença dos altos quadros da Nissan e do seu aliado, a Renault.

Os acionistas aprovaram a criação de três comités. Um deles ficará responsável pela nomeação de cargos, outro pelas remunerações e o terceiro pela auditoria interna.

A aprovação desta reforma já estava no ar há vários dias, já que a Renault, que detém 43,4% do capital da Nissan Motor, anunciou que iria se abster, o que impediria a obtenção de dois terços dos votos necessários.

Contudo, uma negociação posterior entre a Renault e a Nissan levou à reformulação dos membros desses comités, para dar maior peso à empresa francesa e, com os votos do grupo francês, a alteração corporativa acabou por obter os votos suficientes.

Na assembleia de acionistas estiveram presentes, entre outros responsáveis, o presidente da Nissan, Hiroto Saikawa, e o da Renault, Jean-Dominique Senard, que aproveitaram a oportunidade para insistir na aliança que une as duas empresas há 20 anos.

"Nós respeitamos a independência de cada um", disse Saikawa sobre a aliança, à qual se juntou a Mitsubishi após a Nissan ter ganhado o seu controlo.

A reforma dos órgãos corporativos foi o resultado do processo de revisão interna lançado após a renúncia de Ghosn como presidente da empresa, após sua detenção em Tóquio em 19 de novembro do ano passado.

Ghosn, que se tornou presidente da Renault, Nissan Motor e Mitsubishi Motors, é processado no Japão por alegadas irregularidades financeiras durante o seu mandato na Nissan, e também está a ser investigado em França.

Ghosn negou as acusações e sustentou ter sido detido como parte de uma suposta "conspiração" de executivos da Nissan que se opunham a uma possível fusão entre a empresa e a Renault, além da atual aliança existente.

A aprovação dos acionistas para um novo modelo de supervisão da governança da construtora automóvel nipónica traduz-se também na manutenção do cargo do presidente-executivo Hiroto Saikawa.

O presidente da Nissan começou hoje por dizer aos acionistas estar pronto a discutir com o parceiro francês Renault a estrutura da aliança, enfraquecida pela saída do antigo líder Carlos Ghosn.

Hiroto Saikawa, que recentemente rejeitara uma oferta de fusão apresentada pelo fabricante francês, insistiu na necessidade de recuperar a Nissan primeiro, mas suavizou a sua posição na assembleia-geral ordinária em Yokohama.

"Adiámos as discussões [sobre o futuro da aliança], mas isso pode causar um enfraquecimento da cooperação e afetar as operações diariamente", admitiu Saikawa, pelo que se mostrou disponível a voltar a dialogar com o presidente da Renault, Jean-Dominique Senard.

A Renault possui 43% da Nissan, mas o grupo nipónico apenas detém 15% das ações do grupo francês, sem direito de voto.

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