Acordo alcançado na UE não resolve problemas no sistema de asilo

ONG concluiu que o Conselho Europeu "não conseguiu chegar a acordo sobre uma reforma do sistema comum de asilo"

A Oxfam defendeu esta sexta-feira que o acordo sobre migrações alcançado no Conselho Europeu "coloca as responsabilidades em países fora da União Europeia (UE)" e traz consigo "a criação, de facto, de mais centros de detenção de imigrantes".

"Quando mais se necessita da liderança europeia para enfrentar os problemas globais, a UE só responde aos seus problemas internos e não corrige os erros do seu atual sistema de asilo", declarou o assessor para a imigração da organização não-governamental (ONG), Raphael Shilhav, num comunicado.

Shilhav afirmou que um sistema de asilo eficaz e bem gerido "vai muito para além dos centros de desembarque" e é fundamental "para promover a saúde da cultura e economia europeias".

"A política europeia sobre esta questão não deve ser utilizada em jogos políticos entre os Estados-Membros, em detrimento daqueles que mais necessitam. Faz falta um acordo que melhore a vida de todas as pessoas na Europa, sejam estas cidadãos, refugiados ou recém-chegados", disse o representante da Oxfam.

A ONG concluiu que o Conselho Europeu "não conseguiu chegar a acordo sobre uma reforma do sistema comum de asilo" e que, embora acolha favoravelmente qualquer acordo sobre migração, este não deveria ter um impacto negativo sobre os refugiados e os migrantes.

Os líderes da União Europeia chegaram a um acordo, nesta madrugada, para criar voluntariamente nos Estados-membros centros "controlados" para separar os refugiados, com direito de permanecer na UE, dos imigrantes económicos, que seriam devolvidos aos seus países de origem.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.