Marrocos anuncia serviço militar obrigatório de um ano para homens e mulheres

Reforçar sentido de cidadania e facilitar integração na vida socioprofissional justificam medida aprovada de surpresa.

Marrocos anunciou segunda-feira o regresso ao serviço militar obrigatório (SMO) para homens e mulheres com idades compreendidas entre os 19 e os 25 anos, por um período de 12 meses.

A decisão de Marrocos alarga assim o debate em curso sobre a reintrodução do SMO, nomeadamente na Europa, face à grande falta de efetivos. Países como a Suécia e a França já avançaram com essa medida, embora em moldes diferentes do modelo que vigorou até aos anos 2000.

O projeto de lei, elaborado com grande discrição pois não constava na agenda de debates políticos, foi aprovado em Conselho de Ministros pelo rei Mohamed VI e deverá agora passar aos trâmites parlamentares.

Não foram divulgados mais pormenores, exceto que o serviço militar será de 12 meses e que estarão isentos os jovens com deficiência e aqueles que tenham uma família completa a seu cargo, mas não os estudantes, que o cumprirão no final dos respetivos cursos.

O comunicado do Conselho de Ministros marroquino explica que o restabelecimento do serviço militar tem como objetivo "reforçar o sentido de cidadania nos jovens" e que "abre caminho à integração na vida profissional e social".

O documento não explica como vai ser aplicado um projeto de tal envergadura, com tudo o que implica em termos logísticos e financeiros, sobretudo quando os próximos orçamentos não contavam com este novo item.

O diário digital le360.ma, próximo do palácio real, assegura que o plano do Governo é incorporar os primeiros jovens deste novo serviço militar em outubro deste ano e acrescenta que haverá uma pena de seis anos de prisão para os jovens que tentarem escapar a esta nova obrigação.

O serviço militar já foi obrigatório em Marrocos entre 1965 e 2007, quando foi suprimido para o país passar a ter um Exército profissional, invocando-se então a elevada despesa de alojar, alimentar e equipar todos os jovens em idade militar.

Atualmente, o Exército marroquino tem 198 mil efetivos e representa para o Estado um gasto de 3400 milhões de dólares, segundo os dados do estudo internacional sobre poder militar Global Firepower.

A notícia do novo serviço militar, do qual praticamente ninguém tinha ouvido falar até esta semana, foi recebida de forma muito diversa nas redes sociais e fóruns da internet: para os seus apoiantes, será uma boa ocasião de ensinar disciplina e valores cívicos aos jovens; para os seus críticos, é um passo na direção contrária ao rumo do mundo atual.

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.