Lula tem o dobro dos votos de Bolsonaro, diz nova sondagem

Pesquisa realizada entre quarta-feira e sábado coloca antigo presidente em primeiro com 37,3% e o deputado federal em segundo com 18,8%. Os restantes candidatos não passam dos 6%

Lula da Silva (PT) continua líder, e com ainda mais avanço, nas sondagens para as eleições presidenciais do Brasil, apesar de estar detido, acusado de corrupção, e à partida sem condições de elegibilidade. Segundo a pesquisa da CTN/MDA, divulgada ontem mas realizada entre quarta-feira e sábado, o antigo presidente, de centro-esquerda, reúne as preferências de 37,3% dos eleitores. Jair Bolsonaro (PSL), de direita, surge em segundo lugar com praticamente metade dos votos: 18,8%.

Os restantes candidatos apesar de, ao contrário de Lula, terem participado já em dois debates, o da TV Bandeirantes e o da Rede TV, não chegam sequer aos seis pontos. A ambientalista Marina Silva (Rede) soma 5,6%, Geraldo Alckmin (PSDB), de centro-direita, 4,9% e Ciro Gomes (PDT), de centro esquerda, 4,1%. Um pouco atrás segue Álvaro Dias (Podemos), de centro-direita, preferido de 2,7%. Mais atrasados ainda, Guilherme Boulos (PSOL), de esquerda, João Amoêdo (Novo), um liberal de direita, com 0,8%, e Henrique Meirelles (MDB), o candidato do partido de Michel Temer, com os mesmos 0,8%, Cabo Daciolo (Patriotas), Vera Lúcia (PSTU), Goulart Filho e José Maria Eymael não chegam aos 0,5%.

Entre os 2002 ouvidos de 137 municípios espalhados por 25 das 27 unidades federativas do Brasil, 14,3% dizem que vão votar branco ou nulo e 8,8% declaram-se indecisos.

Como as possibilidades do líder nas sondagens concorrer são escassas, a pesquisa incluiu outra pergunta apenas para os 37,3% dos seus eleitores: sem Lula na corrida, em quem vota? Fernando Haddad (PT), o previsível candidato no seu lugar, ficou em primeiro com 17,3%, seguido de Marina (11,9%) e Ciro (9,6%). Quase metade dos ouvidos (47,9%) vota branco/nulo ou está indecisa.

A CTN/MDA ainda testou os candidatos em dez simulações de segunda volta, nos quais Lula venceria em todas as que foi incluído. Nas restantes disputas, os pretendentes ao palácio do Planalto terminariam empatados dentro da margem de erro de 2,2 pontos.

Para 78,3% dos brasileiros, o governo de Michel Temer, entretanto, é mau ou péssimo, diz a pesquisa.

Esta foi a primeira sondagem realizada já depois de ter sido dado o tiro de partida na campanha eleitoral. Seguem-se nos próximos dias pesquisas dos institutos Ibope e Datafolha.

em São Paulo

.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.