Leaving Neverland: músicas de Michael Jackson banidas da rádio e estátua removida de museu

O documentário, Leaving Neverland onde Michael Jackson é acusado de ter cometido abusos sexuais a crianças fez com que várias estações de rádio banissem as músicas do cantor.

O documentário Leaving Neverland, realizado por Dan Reed, lançado na passada quarta-feira, nos Estados Unidos teve consequências negativas para a imagem de Michael Jackson. Primeiro foram várias as estações de rádio que baniram as músicas do rei da pop, agora é a sua estátua a ser removida do Museu Nacional de Futebol da Grã-Bretanha.

Depois de divulgado o documentário onde, ao longo de quatro horas, dois homens, Wade Robson e James Safechuck contam detalhadamente os abusos sofridos pelo cantor, as ondas de choque ainda não pararam de surgir por todo o Mundo. Na Nova Zelândia, a emissora pública e outras entidades comerciais decidiram deixar de emitir as músicas de Jackson. A emissora RNZ afirma aplicar "julgamento editorial" a qualquer música e que devido ao panorama atual, Jackson e a sua música não correspondem ao pretendido pela estação, de acordo com o The Guardian. A emissora diz que a única exceção para dar protagonismo ao cantor será as suas músicas passarem "como parte de uma notícia ou para dar cor a um comentário".

O diretor da emissora New Zeeland Media and Entertainment (NZME), Dean Buchanan confirmou também ter retirado o músico da playtlist. Este diz que as programações "são mudadas todas as semanas", porém, neste momento as músicas de Jackson não fazem parte das próximas.

No entanto, esta situação não aconteceu apenas nas emissoras da Nova Zelândia. Depois das acusações feitas ao cantor, algumas emissoras do Canadá decidiram também eliminar "o Rei da Pop" das suas playlists . As estações CKOI, Rythme e a The Beat confirmaram ter retirado as músicas na passada segunda-feira. Christine Dicaire, porta-voz da companhia Cogeco - que gere 23 estacões de rádio, diz que a atitude deve-se à polémica gerada pelo documentário e à reação do público.

Apesar de o The Times ter declarado que a BBC também tinha retirado Jackson da sua emissão, a emissora recusou, dizendo que "a BBC não bane artistas" à revista Variety. "Ainda hoje, uma estação passou uma música de Michael Jackson", disse a porta-voz da emissora.

O diretor de Leaving Neverland, Dan Reed diz que o impacto do documentário só será percetível com o tempo. "As pessoas têm de ouvir a música de Jackson com o conhecimento que ele era violador infantil prolífico. Se estão confortáveis com isso, tudo bem. Se não estão, talvez escutem outra coisa por um tempo", citado on The Guardian. O estado de Michael Jackson condenou o documentário, acusando-o de ser uma "forma patética de extorquir e fazer dinheiro a partir de Michael Jackson" e os fãs do cantor já realizaram várias ameaças a Reed.

Na passada terça-feira, um debate sobre as acusações feitas ao cantor e a possibilidade da sua música ser banida, foram discutidas no programa britânico, This Morning. Danny Oliver, um fã de Jackson defendeu o cantor, dizendo que passou bastante tempo com este - durante mais de 10 anos, e que sempre o considerou um homem "humilde e amoroso". Nick Ferrari, um emissor de rádio britânico, pelo contrário, confessa nunca mais querer ouvir as músicas de Jackson e diz admirar os homens que relataram o que lhes aconteceu, no documentário.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?