Julian Assange: "Não perdoo nem esqueço"

Procuradoria sueca arquivou processo de violação contra fundador do Wikileaks, mas Assange ainda pode ser preso no Reino Unido

O fundador da Wikileaks Julian Assange, que viu esta sexta-feira as acusações que pendiam contra si serem arquivadas pela justiça sueca, disse no Twitter que não perdoa nem esquece o que lhe foi feito. Assange, de 45 anos, disse que passou sete anos detido sem nenhuma acusação formal enquanto o seu nome foi caluniado.

"Detido durante sete anos sem acusação enquanto os meus filhos cresciam e o meu nome era caluniado. Eu não perdoo nem esqueço", escreveu Julian Assange.

Assange está refugiado na embaixada do Equador em Londres desde 2012 para escapar ao mandado de detenção europeu emitido pela Suécia. Depois de ter escrito no Twitter, Assange veio à varanda do edifício e falou à imprensa: "Hoje é uma vitória importante para mim e para o sistema de direitos humanos da Organização das Nações Unidas, mas não apaga de maneira nenhuma os sete anos de detenção sem acusação, enquanto os meus filhos cresciam. É algo que não posso perdoar ou esquecer", repetiu.

"A minha equipa jurídica contactou as autoridades do Reino Unido e esperamos iniciar um diálogo sobre qual será a melhor forma de seguir em frente", acrescentou, referindo que ficaria satisfeito se o contacto se iniciasse igualmente com os Estado Unidos. Recorde-se que, até ao momento, não é conhecido se as autoridades britânicas receberam ou não um pedido de extradição de Julian Assange por espionagem, crime relacionado com as atividades na WikiLeaks.

Suécia arquiva investigação

A procuradoria sueca anunciou hoje que abandona o processo por violação contra o fundador do WikiLeaks Julian Assange, encerrando uma saga judicial que durava desde 2010.

Esta é uma vitória para o australiano, que sempre negou as acusações feitas contra ele em agosto de 2010 por uma sueca de cerca de 30 anos. Assange repetiu ser completamente inocente, afirmando que as relações sexuais com a queixosa foram consentidas.

O fundador do Wikileaks dizia que o mandado de detenção europeu emitido pela Suécia era uma manobra para conseguir a sua extradição para os Estados Unidos, onde pode ser processado pela publicação de documentos militares e diplomáticos confidenciais.

A mulher sueca que acusa Assange de violação declarou-se "chocada" e considerou "um escândalo" a decisão da procuradoria sueca de abandonar o processo contra o fundador do WikiLeaks, mantendo as acusações, afirmou hoje a sua advogada.

O Equador saudou a decisão da justiça sueca de abandonar o processo contra Julian Assange e pediu ao Reino Unido que permita "uma saída segura" do país ao fundador do WikiLeaks.

"O Equador saúda a decisão de abandonar as acusações contra Assange", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros equatoriano, Guillaume Long, numa série de 'tweets'.

"O mandado de detenção europeu já não é válido. O Reino Unido deve fornecer uma saída segura a Julian Assange", continuou Guillaume Long.

A polícia britânica disse que o fundador da WikiLeaks Julian Assange será detido por um delito no Reino Unido se sair da embaixada equatoriana em Londres, apesar de a justiça sueca ter abandonado o processo contra ele.

Num comunicado, a polícia indica que "Assange continua a ser procurado" por ter violado em 2012 as condições da sua liberdade condicional no Reino Unido e que "é obrigada a executar esse mandado" se ele abandonar a embaixada.

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