Argentina não vai recuperar destroços do submarino

A juíza que lidera a investigação ao naufrágio do submarino argentino San Juan descartou para já a hipótese de tentar erguer o destroço do fundo do oceano, como reclamam as famílias dos 44 tripulantes mortos.

"Trata-se de uma embarcação cheia de água que pode pesar 2500 toneladas, não vou correr o risco de a puxar, pode partir-se", afirmou Marta Yanez aos jornalistas.

A juíza pediu aos oficiais da Marinha argentina a bordo do navio da empresa que localizou o submarino que lhe entreguem as fotografias tiradas no sábado com o módulo submarino usado para descobrir o submarino no fundo do oceano Atlântico. "Prefiro conservar a prova como está, porque a eventual subida à superfície implica uma possível rutura ou só se conseguirá cortando-a em partes", acrescentou.

O ministro argentino da Defesa já tinha reconhecido no sábado que o governo não tem meios para trazer à superfície o submarino. "Não temos meios, nem para mergulhar. Também não temos veículos operados remotamente para descer a essas profundidades nem equipamento para ir buscar um navio destas características", afirmou Oscar Aguad em Buenos Aires.

O chefe da Marinha, José Luis Vilán, apontou então dois limites à exigência dos familiares, que querem a recuperação do submarino: legalmente, é preciso esperar que a juíza encarregada da investigação dê uma autorização nesse sentido e, tecnicamente, não se sabe o suficiente sobre as condições em que está o San Juan.

Estas afirmações da ministra deitam agora por terra a esperança dos familiares.

O submarino, que desapareceu a 15 de novembro de 2017 e foi descoberto na sexta-feira, no oceano Atlântico, sofreu uma "implosão", avançou o comandante da base naval de Mar del Plata.

"O submarino sofreu uma implosão. Encontra-se alojado numa cavidade a mais de 900 metros de profundidade, o que impediu a sua localização pelos radares", disse Gabriel Attis, avançando existirem três imagens autorizadas pela justiça para serem mostradas aos familiares das vítimas, tiradas durante a descoberta, da vela, da hélice e da seção da proa.

No final de 2017 e no início de 2018, navios de uma dúzia de países tinham tentado localizar o submarino, sem sucesso, e a Marinha argentina prosseguiu a busca com poucos recursos.

A 15 de novembro de 2017, o submarino, de fabrico alemão, comunicou pela última vez a sua posição, quando regressava do porto austral de Ushuaia à sua base no mar da Prata.

A empresa Ocean Infinty recolheu 67 mil imagens do submarino San Juan, afundado a 400 quilómetros da costa.

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