Salvini não quer zangas e está disponível para encontro com Macron

O ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, declarou hoje que o seu governo não quer zangar-se e está disposto a encontrar-se com o presidente francês, após Paris chamar o seu embaixador em Itália para consultas.

"Não nos queremos zangar com ninguém, as polémicas não nos interessam, somos pessoas concretas que defendem os interesses dos italianos", indicou num comunicado o líder da Liga (extrema-direita), um dos partidos da coligação no governo em Itália juntamente com o Movimento 5 Estrelas (M5S).

O Ministério dos Negócios Estrangeiros francês anunciou hoje ter chamado o seu embaixador em Itália para consultas após uma série de "declarações ultrajantes" e "ataques infundados" e sem "precedente" de responsáveis italianos.

Na terça-feira, o vice-presidente do governo italiano e líder do M5S, Luigi Di Maio, reuniu-se em Paris com representantes dos "coletes amarelos", que estão mobilizados há várias semanas contra o Presidente francês, Emmanuel Macron.

O encontro segue-se a uma série de declarações fortes contra o governo francês, quer de Di Maio, quer de Salvini, que já disse esperar que o povo francês se liberte em breve de um "muito mau presidente".

"Estamos prontos a encontramo-nos com o presidente Macron e o governo francês", disse hoje Salvini.

O M5S ainda não reagiu e o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, está em visita ao Líbano.

No comunicado, Salvini aponta "três questões fundamentais" a resolver com Paris no que se refere ao seu ministério.

Primeiro, o ministro italiano quer que a França deixe de "mandar para trás na fronteira" migrantes que tentam entrar a partir de Itália, "mais de 60.000 desde 2017, incluindo crianças e mulheres abandonadas nas matas", segundo Salvini.

Pede ainda o regresso a Itália de "dezena e meia" de "terroristas italianos", antigos militantes da extrema-esquerda "que foram condenados, mas levam uma boa vida em França".

Por último, Salvini pede que a França deixe de "prejudicar os trabalhadores fronteiriços que são literalmente vítimas de assédio todos os dias na fronteira francesa com controlos que duram horas".

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