Gigantes da tecnologia comprometem-se em lutar contra difusão de terrorismo

Em resposta ao apelo de Jacinda Ardern e de Emmanuel Macron, Facebook promete limitar a utilização de vídeos em direto. Mas a exclusão da difusão de violência em direto é impossível, asseguram os especialistas.

Dezassete países, a Comissão Europeia e oito grandes empresas de tecnologia subscreveram o Apelo de Christchurch contra o conteúdo online terrorista e extremista violento, no dia em que se cumprem dois meses da transmissão ao vivo no Facebook do ataque às mesquitas na Nova Zelândia.

Através desta iniciativa da primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern e do presidente francês Emmanuel Macron, as plataformas da internet, incluindo o Facebook e Google, comprometeram-se em impedir o download e a distribuição desse tipo de conteúdo, inclusive através de "sua retirada imediata e permanente", lê-se no documento.

O objetivo é prevenir a difusão de imagens ou mensagens terroristas, como aconteceu durante o massacre de 51 muçulmanos em Christchurch no dia 15 de março. O seu autor, um supremacista australiano, transmitiu o horror em direto no Facebook Live durante 17 minutos.

"Tomámos medidas concretas para evitar que uma tragédia como a de Christchurch se repita", afirmou Ardern. "O Facebook tentou apagar o vídeo: removeram-no 1,5 milhões de vezes. Durante as primeiras 24 horas, ele foi reposto de novo no YouTube em cada segundo", disse a neozelandesa.

No apelo, as empresas comprometem-se a tomar medidas imediatas para "mitigar os riscos" associados aos conteúdos em direto, através da identificação e supervisão "em tempo real".

Os gigantes da internet mencionam, em particular, a instauração de mecanismos de sinalização ou algoritmos adequados para desviar os utilizadores desses conteúdos e, se necessário, o encerramento de contas. Ao Facebook e Google (proprietário do YouTube) juntaram-se a Microsoft, Amazon, Daily Motion e Twitter.

A Google, que emprega 10 mil pessoas para combater conteúdos que violam as suas regras, informou que mais de 90% dos vídeos do YouTube removidos por extremismo com violência nos últimos seis meses foram excluídos antes de serem denunciados por um humano. Destes, 88% tinham menos de 10 visualizações antes de serem apagados.

Mas a tarefa vai ser difícil. O Apelo de Christchurch "é uma declaração de princípios, um safanão político, mas não mais. Não que o Facebook ou o Twitter estejam relutantes, mas porque apagar conteúdo online em tempo real é simplesmente impossível", diz Marc Rees, chefe de redação do site Next INpact, especializado em novas tecnologias, à AFP.

Além dos administradores destas grandes empresas signatárias do apelo, Emmanuel Macron convidou para um jantar no Eliseu cerca de 180 responsáveis pelas grandes empresas de tecnologias e do mundo digital à boleia da conferência Tech for Good, que se realizou pela segunda vez em Paris.

Segundo o Eliseu, 45 grandes grupos tecnológicos comprometeram-se a aumentar o número de mulheres nos cargos de topo para 30% até 2022, quando a média neste setor é de 15%.

Antes do jantar, o chefe de Estado francês recebeu no Palácio do Eliseu a primeira-ministra neozelandesa Jacinda Ardern e outros chefes de estado e governo, como o rei Abdullah da Jordânia, o presidente Macky Sall (Senegal), o vice-presidente Jusuf Kalla (Indonésia), os primeiros-ministros Justin Trudeau (Canadá), Erna Solberg (Noruega) e Leo Varadkar (Rep. Irlanda) e a governante britânica Theresa May.

No Reino Unido soube-se que um forum neonazi teve 800 mil visitas no espaço de um mês, sendo que 80 mil tiveram origem nas ilhas britânicas. Por outro lado as autoridades britânicas concluíram que as plataformas online e os temas anti-establishment estão a ser utilizados para "atrair um público mais vasto no sentido de expô-lo a material de extrema-direita", adianta o Times. O jornal britânico disse que este tema iria ser dado como exemplo por Theresa May na reunião em Paris.

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