Furacão histórico atinge ilhas a que Magalhães chamou "ladronas"

Ventos de mais de 322 quilómetros/hora e "destruição devastadora". Esta era a previsão para a passagem do olho do super furacão Yutu, nas Ilhas Marianas do Norte, no Pacífico, onde vivem cerca de 53 mil pessoas. Mas a tempestade parece estar a desviar-se.

É o furacão mais forte desde que há registo a passar pelas Ilhas Marianas do Norte, um conjunto de 15 ilhas na zona da Micronésia onde vivem cerca de 53 mil pessoas e que foram visitadas por Fernando de Magalhães, em 1521, na sua viagem à volta do mundo. O navegador português denominou-as de "Ladronas" por causa de um furto protagonizado por nativos.

Mas, ao contrário do que os serviços meteorológicos americanos previam na manhã de quarta-feira, o olho do Yutu, que era anunciado como provavelmente o furacão mais forte a atingir território americano desde que há registos, com ventos de 322 quilómetros/hora, ter-se-á desviado das ilhas, que não deverão sofrer tantos danos como inicialmente previsto: o aviso era de "destruição devastadora", colapso parcial ou total de estruturas e edifícios e interrupção, por tempo indeterminado, do fornecimento de água e luz, assim como inundações e ondas de mais de seis metros.

As Marianas do Norte, oficialmente designadas Comunidade das Ilhas Marianas Setentrionais, são um Estado "livremente associado" aos EUA, e têm uma economia baseada sobretudo no turismo.

A tempestade chegou a território americano, cujo fuso horário está 14 horas à frente dos EUA continentais, a meio desta quarta-feira (hora portuguesa), sendo já quinta-feira naquela região do Pacífico. Não se sabe ainda se o Yutu, um furacão classificado como "categoria 5+", vai passar por mais algum território habitado, podendo ainda atingir as Filipinas ou o Japão.