"Controlo direto dos homens" leva fundadora de revista feminina do Vaticano a sair

Women Church World, revista feminina do Vaticano, acusa uma campanha da Igreja Católica que a cerca por um "clima de desconfiança e progressiva deslegitimação".

A fundadora e o conselho editorial da revista feminina do Vaticano, Women Church World, formado por mulheres, deixaram os seus cargos por considerarem que há uma campanha do Vaticano para as desacreditar e para as colocar "sob o controlo direto dos homens".

Segundo o conselho editorial da revista, a pressão aumentou depois de terem denunciado casos de abuso sexual de freiras pelo clero.

As responsáveis, vão anunciar a sua saída no editorial que será publicado na próxima segunda-feira e através da divulgação de uma carta aberta ao papa Francisco, à qual a agência de notícias Associated Press (AP) já teve acesso.

No editorial, que foi para a gráfica na semana passada, mas que ainda não foi publicado, a fundadora da revista, Lucetta Scaraffia, escreveu: "Estamos a atirar a toalha ao chão porque nos sentimos cercadas por um clima de desconfiança e progressiva deslegitimação".

A Women Church World é uma publicação mensal que sai com o jornal L'Osservatore Romano, do Vaticano.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?