FMI empresta 3,7 mil milhões de dólares a Angola, Lagarde garante que dívida pública ainda é sustentável

Diretora-geral do FMI esteve em visita oficial a Luanda nos dias 20 e 21 deste mês e, em entrevista ao Jornal de Angola, na edição de dia 24, garante que aquela instituição só apoia programas que impliquem a sustentabilidade da dívida

A dívida pública de Angola ainda é sustentável, apesar de ascender a 70 por cento do PIB. Quem o diz é a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) em entrevista ao Jornal de Angola.

Christine Lagarde anunciou que com os financiamentos mobilizados em 2018, junto das instituições financeiras bilaterais e multilaterais, a dívida angolana poderá chegar aos (14,302 biliões de kwanzas) 54,5 mil milhões de euros até ao final deste ano. Mas, apesar do aumento do stock da dívida do país, Lagarde entende que não constitui preocupação, na medida em que há um programa conjunto entre Angola e o FMI e a sustentabilidade da dívida já foi identificada e aprovada.

A diretora-geral do FMI, que esteve de visita a Angola entre os dias 20 e 21 deste mês, reforçou que o Conselho de administração daquele órgão internacional só apoia programas que impliquem a sustentabilidade da dívida.

Segundo Lagarde, para formalizar um empréstimo do Fundo no valor de 3,7 mil milhões de dólares (3,2 mil milhões de euros), dos quais mil milhões já estão nas contas angolanas, ao longo dos três anos de vigência da assistência financeira do FMI, o Governo de Angola terá total liberdade para contrair empréstimos de outros credores.

A diretora-geral do FMI mostrou-se preocupada com o nível de endividamento não só de Angola, mas um pouco por todo mundo, particularmente, entre os países de rendimento médio e baixo que aumentaram significativamente a dívida das famílias, das empresas e dos Estados.



Lagarde, citada também pela Angop - agência de notícias oficial do Estado angolano, referiu, por outro lado, não haver motivos para os angolanos temerem os efeitos do programa conjunto que o FMI acaba de financiar, porque o objetivo dessa assistência financeira é apoiar as decisões macroeconómicas já identificadas pelo Presidente João Lourenço e pela sua equipa económica. "Trabalhámos com eles com base numa proposta angolana de estabilização e desenvolvimento. Portanto, não é o FMI que está a impor as propostas: somos nós a apoiar as propostas contidas no programa do Governo", declarou.

Disse que isto vai ter que levar em consideração variáveis como a força da moeda, a evolução do dólar, o preço do barril do petróleo e os constrangimentos externos, para poder avançar.

Acrescentando não existir outra finalidade por detrás do programa que não seja a estabilização macroeconómica e o desenvolvimento com base na diversificação, decisões do Presidente e do Governo.

Na entrevista publicada na edição de dia 24, a diretora do FMI apresentou dois cenários, sendo que, no primeiro, o preço do petróleo, principal produto de exportação de Angola, caía, e no segundo subia.

Em relação ao primeiro cenário, Lagarde referiu que se ocorrer, as necessidades de financiamento poderão aumentar, o que obrigará a ajustar os parâmetros do programa com base neste hiato.

No cenário inverso, disse que, ainda que as autoridades consigam atingir os seus objetivos sem ter de utilizar todo financiamento, o FMI está comprometido em emprestar na totalidade 3,7 mil milhões de dólares, 3,2 mil milhões de euros.

Em relação à reforma cambial em Angola, entende que a transição para uma taxa de câmbio flutuante fique concluída em janeiro ou fevereiro próximo.

Referiu que antes o Banco Central estava a intervir significativamente e a tentar manter a taxa de câmbio fixa, situação que paralisava a economia angolana, porque não havia nenhum amortecedor de choque cambial.

A seu ver, agora que a política monetária e a economia estão a passar para um regime de taxa flutuante, as variações são absorvidas pela taxa de câmbio e vão restaurar a competitividade de Angola na sua relação com o resto do mundo e incentivar o desenvolvimento de atividades que irão substituir aquilo que eram, até a este momento, importações.