Fim da ETA será anunciado no primeiro fim de semana de maio

A organização separatista basca ETA já tinha anunciado estar para breve a sua dissolução. Finalmente há data para o ato que lhe irá pôr fim: 5 ou 6 de maio

A organização separatista e terrorista ETA irá anunciar a sua dissolução no primeiro fim de semana de maio - dia 5 ou 6 - num ato a ser realizado no País Basco francês, conforme relatado pela televisão pública basca Euskal Telebista.

Segundo esta estação, antes do anúncio irá acontecer um evento, em Iparralde, no qual irão participar agentes políticos e sociais da região basca e personalidades internacionais.

Os detalhes do evento apenas vão ser anunciados na próxima segunda-feira, numa conferência de imprensa na qual vão participar membros do International Contact Group (GIC) do advogado sul-africano Brian Currin, de Bake Bidea e do Fórum Social.

A dissolução da ETA ocorre pouco mais de um ano depois do desarmamento da organização materializado por representantes da sociedade civil a 8 de abril do ano passado. Esta decisão surgiu sete anos após o grupo terrorista ter anunciado cessar em definitivo os atos de violência.

Recorde-se que no início deste mês, a ETA tinha anunciado que ia declarar de forma oficial a sua dissolução antes do verão.

Exclusivos

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Os deuses das moscas

Com a idade, tendemos a olhar para o passado em jeito de balanço; mas, curiosamente, arrependemo-nos sobretudo do que não fizemos nem vamos já a tempo de fazer. Cá em casa, tentamos, mesmo assim, combater o vazio mostrando um ao outro o que foi a nossa vida antes de estarmos juntos e revisitando os lugares que nos marcaram. Já fomos, por exemplo, a Macieira de Cambra em busca de uma rapariga com quem o Manel dançara um Verão inteiro (e encontrámo-la, mas era tudo menos uma rapariga); e, mais recentemente, por causa de um casamento no Gerês, fizemos um desvio para eu ir ver o hotel das termas onde ele passava férias com os avós quando era adolescente. Ainda hoje o Manel me fala com saudade daqueles julhos pachorrentos, entre passeios ao rio Homem e jogos de cartas numa varanda larga onde as senhoras inventavam napperons e mexericos, enquanto os maridos, de barrigas fartas de tripas e francesinhas no ano inteiro, tratavam dos intestinos com as águas milagrosas de Caldelas. Nas redondezas, havia, ao que parece, uma imensidão de campos; e, por causa das vacas que ali pastavam, os hóspedes não conseguiam dar descanso aos mata-moscas, ameaçados pelas ferradelas das danadas que, não bastando zumbirem irritantemente, ainda tinham o hábito de pousar onde se sabe.