Espanhola de 21 anos condenada a prisão por fazer piadas sobre a ditadura no Twitter

Cassandra Vera ironizou sobre um atentado em que morreu um primeiro-ministro do franquismo

Um tribunal superior espanhol condenou a um ano de prisão uma jovem de 21 anos por ter feito piadas no Twitter sobre um homicídio que aconteceu em 1973, durante o regime ditatorial de Francisco Franco.

Os juízes da Audiência Nacional consideraram Cassandra Vera culpada de glorificação do terrorismo e de humilhar as vítimas de atentados terroristas. Porém, a jovem não deverá cumprir a pena de cadeia, já que em Espanha os condenados por crimes não violentos a menos de dois anos de prisão não são, por norma, obrigados a entrar no estabelecimento prisional.

Segundo o The Guardian, Cassandra publicou 13 'tweets', entre 2013 e 2016, sobre o assassínio do almirante Luís Carrero Blanco, que foi primeiro-ministro de Franco: Carrero Blanco foi morto em Madrid em 1973, num atentado levado a cabo pela ETA.

A força da explosão lançou o carro onde o governante viajava por cima do telhado da igreja onde Blanco estivera minutos antes, a assistir a uma missa, tendo a jovem referido na rede social, por exemplo, que o grupo separatista basco combinou uma política contra o uso de carros oficiais com um programa espacial.

Em Espanha, o caso de Cassandra levantou questões sobre a liberdade de expressão e a jovem recebeu apoio de vários sectores da sociedade durante o julgamento. O líder do Podemos, partido de extrema-esquerda, foi um dos que marcou presença ao lado de Cassandra durante o desenrolar da ação judicial.

Até a neta de Carrero Blanco se pronunciou: em carta ao El País, publicada no passado mês de janeiro, lamentou que os procuradores espanhóis tivessem decidido levar o caso a julgamento: "tenho receio de uma sociedade na qual a liberdade de expressão, mesmo que seja exercida de forma lamentável, possa levar a sentenças de prisão", escreveu Lucia Carrero Blanco.

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É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.