Entre 10 a 20 pessoas estão desaparecidas após o colapso da ponte

A estimativa foi dada pelo procurador de Génova, Francesco Cozzi

Ainda estão desaparecidas entre 10 a 20 pessoas debaixo dos escombros da ponte Morandi, avançou à Reuters o procurador de Génova, Francesco Cozzi. Uma estimativa que, segundo o responsável, tem como base a informação de pessoas que ainda desconhecem o paradeiro dos familiares e o número de carros que estariam a circular na ponte no momento da tragédia.

Parte da estrutura da ponte Morandi desabou na terça-feira e o último balanço aponta para 39 mortos, 16 feridos, nove dos quais em estado grave.

O governo italiano atribuiu a culpa pelo colapso da ponte à concessionária, a Autostrade per l'Italia, cujos responsáveis dizem terem sido cumpridos todos os requisitos de segurança.

O ministro das Infraestruturas e Transportes de Itália, Danilo Toninelli, exigiu mesmo a demissão dos responsáveis da empresa Autostrade per l'Italia. Numa mensagem que publicou no Facebook, o governante, do Movimento 5 Estrelas, escreveu que "os responsáveis da Autostrade per l'Italia devem demitir-se antes de tudo" e avançou que o governo italiano "ativou todos os procedimentos para a possível revogação das concessões e a imposição de uma multa de até 150 milhões de euros".

Concessionária da ponte critica governo e alerta sobre os prejuízos

A companhia italiana Atlantia que controla a concessionária de autoestradas Autostrade per l'Italia advertiu esta quinta-feira o governo de Roma que a decisão de revogar as concessões após a queda da ponte de Génova vai prejudicar os acionistas.

Através de um comunicado a Atlantia lamentou o início de procedimentos no sentido da revogação da concessão à Autostrade per l'Italia porque, reclama, a medida foi anunciada sem que tenha sido feita previamente uma "argumentação especifica" e na ausência de provas sobre as "causas do sucedido."

A Atlantia acrescenta que se a revogação é posta em prática "a concessionária vai ter de reavaliar o valor residual da concessão por causa da aplicação de eventuais indemnizações".

O comunicado refere também que a formulação do anúncio do governo pode vir a ter impacto para os acionistas e obrigacionistas da sociedade, que a Atlantia tem de "proteger".

O comunicado foi difundido antes da abertura da Bolsa de Milão tendo a empresa, de acordo com a imprensa de italiana, registado "uma queda de 25%".

A Atlantia fechou a sessão do dia 14 de agosto com uma queda de 5,39% prevendo-se a situação de hoje nos mercados bolsistas.

O vice-primeiro-ministro e ministro para o Desenvolvimento Económico, Luigi di Maio, disse que "existem todos os motivos para que o Estado não tenha que pagar qualquer indemnização" referindo-se à responsabilidade da concessionária.

"Perante os mortos não existem cláusulas", acrescentou Di Maio numa entrevista à estação Radio24.

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