Premium Do café suíço onde Lenine conspirou só resta a placa a homenagear os opositores portugueses

Na Landolt, em Genebra, se planeou muito da revolução russa de 1917. Mas também ali se reuniam o grupo de Medeiros Ferreira e Maria Emilia Brederode dos Santos

Junto à Universidade de Genebra, onde em tempos existiu a Brasserie Landolt que nos primeiros anos do século XX serviu de base às conspirações de Lenine, está agora um prédio moderno, cujo rés-do-chão é ocupada pelo Takumi, um restaurante japonês. Não sobra nada da cervejaria histórica, que surge nas biografias do revolucionário russo, mas no exterior continua a placa que homenageia os opositores portugueses que nas décadas de 1960 e 1970 ali conspiravam contra o fascismo português. Foi colocada em 1999, para assinalar os 25 anos do 25 de Abril.

"Lembro muito bem do Landolt. Íamos lá muito, nem sempre para as tais conspirações políticas, às vezes só mesmo para conversar. Para tertúlias. O café era famoso por causa de Lenine e até se falava de uma mesa onde ele se sentava sempre nos anos de exílio na Suíça", diz ao DN Maria Emília Brederode dos Santos, que fazia parte do grupo de opositores portugueses que a tal placa recorda.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?