Destroços do navio com que James Cook descobriu a Austrália podem ter sido encontrados

Descoberta pode pôr fim a um dos grandes mistérios da história da navegação a tempo de assinalar os 250 anos da chegada de Cook à Austrália

Os arqueólogos da marinha norte-americana acreditam ter identificado destroços do navio Endeavour que conduziu James Cook à Austrália. O anúncio de que se trata efetivamente dos destroços deste navio só será feito amanhã, sexta-feira, mas já foi antecipado que terá sido essa a descoberta feita entre os destroços dos navios depositados no porto de Newport, Rhode Island, EUA.

Se assim for, as escavações devem arrancar no próximo ano e estar concluídas a tempo de assinalar os 250 anos da chegada de James Cook e do Endeavour à Austrália (em abril de 2020). O Endeavour foi comprado pela marinha britânica em 1768 para uma missão científica no Oceano Pacífico, com objetivo de localizar o misterioso continente a sul do globo, conhecido então como Terra Australis.

O The Sydney Morning Herald sublinha, no entanto, que os destroços são importantes para vários países - EUA, Inglaterra, Nova Zelândia e Austrália - o que pode levar a uma disputa a propósito do local onde os destroços deverão ser depositados.

O Endeavour partiu de Inglaterra em 1768 e chegou à Austrália dois anos depois. Cinco anos depois de ter chegado à Austrália, foi vendido e renomeado - passou a chamar-se Lord Sandwich 2. Serviu como transporte de tropas britânicas para a Guerra da Independência dos EUA, acabou atracado e afundado, aparentemente em conjunto com uma dúzia de navios anónimos, na costa de Rhode Island, em 1778.

Como se afundou nos EUA, foi o estado de Rhode Island que reclamou o direito a ficar com os destroços ali encontrados, em 1999. As descobertas resultam assim de 25 anos de trabalho de investigação, num trabalho conjunto entre o Museu Nacional Marítimo da Austrália e os arqueólogos da marinha dos EUA. A diretora do projeto, Kathy Abbass, já referiu: "Podemos dizer que pensamos saber qual dos barcos é o Endeavour", antecipando o anúncio marcado para sexta-feira.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?