Descoberto grupo de jornalistas franceses que assediou mulheres durante anos

Desde 2011 que insultavam e partilhavam fotografias íntimas de colegas, que decidiram silenciar o assunto - até agora.

O rumor era antigo, mas só na semana passada foi confirmado. Durante anos, cerca de 30 jornalistas aproveitaram um grupo privado de Facebook para insultarem e assediarem mulheres com quem trabalhavam, de acordo com o The New York Times. Deram-lhe um nome: Ligue du LOL.

"Durante seis anos, perguntamo-nos se deveríamos falar. Inicialmente, não o dissemos porque sabíamos que o que queríamos dizer não seria compreendido", começou por contar Léa Lejeune. A jornalista francesa da revista de negócios Challenges é uma das vítimas deste grupo e partilhou a sua história no site francês Slate. Entre 2011 e 2013, estes homens deixaram comentários insultuosos no seu blog feminista, num deles até sugerindo que ela tinha dormido com o patrão.

Mas Léa não foi caso único. Várias mulheres saíram a público para contaram como também foram vítimas de assédio, através das suas redes sociais ou do seu blog .

Num dos casos, um membro do grupo gravou uma fotografia íntima de uma escritora feminista e pôs a mesma a circular no Twitter. Num outro, publicaram online a gravação de uma chamada com uma colega, em que o grupo simula ser alguém importante com uma proposta de emprego.

A jornalista francesa assediada, motivada pela "grande mudança" dos novos tempos e oito anos depois do início de tudo, resolveu tornar pública a sua história. "É semelhante ao movimento #MeToo, no sentido em que as vítimas só agora estão a ser finalmente ouvidas", disse.

E as estatísticas das autoridades francesas confirmam esta mudança. De acordo com um relatório da polícia, no ano passado, as queixas por crimes sexuais em França aumentaram drasticamente.

Depois de confirmada a existência deste grupo, alguns dos homens que o integraram já deixaram publicamente as suas desculpas.

Vincent Glad, colaborador do jornal francês Libération, confirmou na sua conta de Twitter que foi quem criou o grupo em 2009. O jornalista justificou-se, dizendo que a sua intenção inicial era apenas ter um espaço para partilha de piadas e não para assediar mulheres. "Mas o grupo transformou-se num monstro que fugiu completamente das minhas mãos", partilhou. Disse ainda que a sua perceção sobre feminismo mudou desde então.

Entre os homens acusados de assédio está também Alexandre Hervaud, um editor do mesmo jornal, bem como David Doucet, editor-chefe da revista cultural Les Inrocks, e ainda Stephen des Aulnois, editor da crítica erótica Le Tag Parfait.

Alguns deles foram suspensos do seu local de trabalho.

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