De 40 anos para prisão perpétua. Tribunal de Haia aumenta pena de Karadzic

O sérvio bósnio foi condenado em 2016 por genocídio e crimes de guerra. A pena foi aumentada no julgamento do recurso.

Os juízes decidiram condenar Radovan Karadzic a prisão perpétua, uma sentença deliberada no julgamento do recurso ex-líder político dos sérvios da Bósnia. Karadzic tinha sido condenado a 40 anos de prisão em 2016, designadamente por acusações de genocídio.

O anúncio foi feito em comunicado por Theodor Meron, presidente do Mecanismo para os Tribunais Penais Internacionais (MTPI), que assumiu os processos do extinto Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPIJ).

Em março de 2016, os juízes do TPIJ reconheceram o ex-psiquiatra Radovan Karadzic, 72 anos, culpado de genocídio pelo massacre de cerca de 8.000 homens e rapazes muçulmanos em Srebrenica em julho de 1995.

Karadzic foi ainda reconhecido culpado de perseguições, mortes, violações, tratamentos inumanos ou transferências forçadas de populações, designadamente pelo cerco de Sarajevo que se prolongou durante 44 meses com um balanço de 10.000 mortos, e por campos de detenção.

Radovan Karadzic considera que os juízes "o presumiram culpado e constituíram um julgamento para justificar essa presunção", afirmou o seu advogado após a condenação em primeira instância.

Após ter pedido prisão perpétua, o procurador do TPIJ Serge Brammertz também emitiu um recurso, considerando insuficiente a pena de 40 anos de detenção.

Karadzic é o mais alto responsável a ser julgado pelo tribunal por crimes cometidos durante a guerra civil na Bósnia-Herzegovina, após a morte em 2006, durante o seu processo, do antigo presidente sérvio Slobodan Milosevic. Foi o líder político da Republika Srpska (RS), a entidade dos sérvios bósnios.

A guerra nesta ex-república jugoslava que envolveu muçulmanos, sérvios e croatas locais, com intervenção externa, provocou mais de 100.000 mortos e 2,2 milhões de deslocados entre 1992 e 1995.

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