Costa diz que "não há nada a ganhar" confrontando Trump

António Costa desvalorizou hoje o tom crítico com que o presidente norte-americano se tem dirigido aos aliados.

O primeiro-ministro chegou hoje a Bruxelas com um plano para Portugal alcançar a meta de 2% do PIB, em gastos com a Defesa. O objetivo que ficou acordado, entre os membros da NATO, em 2014, tem sido a referência das críticas de Donald Trump. António Costa entende que "não há nada a ganhar" confrontando Trump.

"Não temos nada a ganhar nesta cimeira, em transformá-la num jogo de pingue-pongue", disse António Costa, acrescentando que Portugal falará por si, referindo-se a uma carta que entregou ao secretário-geral da NATO, a qual "demonstra bem a forma responsável e credível, como queremos cumprir e nos propomos a cumprir as nossas responsabilidades".

O plano do governo é o de aproximar-se daquela meta, admitindo-se a possibilidade de alcançar 1,98% do PIB em gastos com a Defesa, dependendo do acesso a determinados fundos comunitários, como o Fundo Europeu de Defesa e o programa Horizonte Europa, que estão disponíveis no próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia, no período de 2021 a 2027.

O programa "designa bem aquilo que é a trajetória que temos definida e que podemos seguir e aquilo que é a trajetória que depende de acesso a fundos concorrenciais, no âmbito da União Europeia, para os quais podemos ter a ambição de obter financiamento", disse Costa, reconhecendo que "não podemos nenhum de nós, neste momento, garantir que vamos obter esse financiamento" e nesse caso, a meta alcançável por Portugal, em 2024, ficar-se-ia por 1,66% do PIB.

Em qualquer dos casos, a prioridade do governo será o investimento em equipamentos. "Por um lado a aquisição do conjunto de aparelhos KC390, que têm sido um motor do desenvolvimento do "cluster" aeronáutico nacional", e que substituirão os atuais C130, já que a sua tecnologia com 66 anos, já atingiu dois terços da vida útil deste modelo de aeronave.

O investimento em equipamentos contará ainda com o "programa dos Navios Patrulha Oceânicos, que temos vindo a desenvolver e que contribui para o desenvolvimento da nossa indústria naval, a que lançamos agora um desafio acrescido, para a construção do novo Navio Logístico Polivalente, que assegurará a capacidade de podermos intervir em zonas distantes do nosso território, mas que é absolutamente essencial, para um país que tem comunidades emigrantes tão dispersas, como nós temos, ou amigos tão dispersos como os que fazem parte da CPLP".

"Procurámos construir um quadro que, simultaneamente, procurasse reforçar as capacidades das nossas Forças Armadas, [para] assegurarem a soberania nacional e, em particular, a proteção dos vastos recursos marítimos a nosso cargo", comentou, esperando que seja possível "constituir um instrumento de robustecimento do nosso sistema científico e também da nossa indústria nacional".

Por isso, Costa entende que "não devemos valorizar especialmente a idiossincrasia de uns ou de outros", referindo-se ao tom critico com que Trump pressiona os aliados a aumentarem os gastos com a Defesa.

"Já todos nós, na nossa vida, tivemos colegas que têm um comportamento algo diferenciado, relativamente àquilo que é o padrão comum, mas não devemos valorizar isso especialmente", disse, aos jornalistas, o chefe do governo português.

Em Bruxelas

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