Corpo de estudante norte-americano não apresentava sinais de tortura

De acordo com a médica legista, o estudante de 22 anos que esteve detido quase um ano e meio na Coreia do Norte, morreu devido a falta de oxigénio e sangue no cérebro

O corpo de Otto Warmbier, o estudante norte-americano que esteve detido quase um ano e meio na Coreia do Norte e que morreu uma semana depois de ter sido repatriado, não mostrava sinais óbvios de tortura.

De acordo Lakshimi Sammarco, medica legista em Ohio, o estudante de 22 anos morreu devido a falta de oxigénio e sangue no cérebro, sendo que Sammarco não conseguiu explicar o que causou esta condição neurológica.

Alem dos familiares de Warmbier, também Donald Trump acusou, no Twitter, o regime norte-coreano de ter "torturado severamente" o estudante, que foi condenado a 15 anos de trabalho forçado após ter admitido o roubo de um cartaz de cariz político num hotel em Pyongyang, onde estava hospedado, sendo acusado de "atividades hostis" e conspiração contra a unidade da Coreia do Norte.

Nenhum responsável norte-americano tinha, até à data, acusado publicamente a Coreia do Norte de ter torturado Otto.

"Não sabemos o que lhe aconteceu", afirmou Sammarco, em declarações citadas pelo The Guardian , acrescentando ainda que a causa do estado neurológico que levou à morte de Warmbier poderá nunca ser conhecida.

Na terça-feira, Fred e Cindy Warmbier afirmaram, em entrevista no programa televisivo Fox & Friends, que o filho havia mostrado sinais de tortura, incluindo dentes que pareciam ter sido "rearranjados "e as mãos e os pés desfigurados.

"Eles sequestraram Otto, torturaram-no e feriram-no intencionalmente. Eles não são vítimas, são terroristas", afirmou Fred Warmbier.

De acordo com a médica legista, o corpo do estudante não apresentava evidências claras de tortura física, não existindo ossos partidos ou dentes danificados. "Nós nunca vamos saber o que aconteceu, a menos que as pessoas que lá estavam avancem e digam: Isto foi o que aconteceu com Otto", explicou.

Os pais de Otto recusaram a realização de uma autópsia, sendo que Sammarco apenas conduziu uma autopsia virtual, com recurso a análises médicas e imagens.

O relatório de Sammarco revelava que o estudante da Universidade de Virgínia morreu após complicações decorrentes da falta de oxigénio no cérebro, sendo que a sua condição foi causada por "uma situação desconhecido, mais de um ano antes da morte".

A médica legista adiantou ainda que o corpo de Otto estava num surpreendente bom estado, para quem esteve em coma mais de um ano. Sammarco acrescentou que o corpo parecia estar "bem nutrido".

No seguimento da morte de Otto Warmbier, os Estados Unidos decidiram proibir viagens de cidadãos norte-americanos à Coreia do Norte, onde ainda permanecem detidos três cidadãos norte-americanos.

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