Colômbia quer que Espanha devolva tesouro oferecido há 125 anos

A coleção de 122 peças de ouro foi comprada a um caçador de tesouros de sepulturas indígenas para ser exposta em Madrid em 1892

A Colômbia quer recuperar um tesouro que foi levado em 1892 para Espanha. O tribunal constitucional do país decidiu que o Governo deve pedir, através da Unesco, que Madrid devolva as 122 peças de ouro, uma coleção de antiguidades quimbayas que foi oferecido à rainha María Cristina de Habsburgo-Lorena.

O tesouro está atualmente exposto no Museu da América em Madrid. Mas o caso arrasta-se na justiça desde 2006: nesse ano o advogado Felipe Rincón levou o caso a tribunal argumentando que o presente foi dado pelo então presidente Carlos Holguín de forma ilegal. Em 2009, um juiz decidiu a favor de Felipe Rincón, mas em 2011 a decisão foi revogada.

O argumento do advogado é que o tesouro foi oferecido pelo presidente sem permissão do Congresso e que faz parte da herança cultural do país. Rincón insistiu e agora a decisão ficou nas mãos do tribunal constitucional. E depois de meses a analisar a questão, nomeadamente a posição do Governo e da Presidência, de que a entrega do tesouro cumpriu os preceitos da época, o tribunal decidiu, com cinco votos contra um, que o património cultural não pode ser alienado e por isso as 122 peças de ouro devem ser devolvidas.

Segundo Rincón, a coleção de 122 peças de ouro foi comprada na altura a um caçador de tesouros de sepulturas indígenas para ser exposta em Madrid em 1892, nas comemorações do quarto centenário do descobrimento da América, sendo que no final seria devolvida. No ano seguinte o presidente Holguín decidiu doá-la à Espanha como agradecimento à rainha pela intervenção numa disputa de fronteiras entre a Venezuela e a Colômbia.

Depois de 125 anos, a Colômbia vai agora pedir a Espanha a devolução do tesouro, através do tratado de repatriação de bens da Unesco.

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