Cimeira Trump-Kim sem acordo: "Não podíamos abdicar de todas as sanções"

Líderes não assinaram qualquer acordo, mas Donald Trump revela que a relação entre os dois é "forte" e que há um compromisso sério para cessar os testes nucleares.

A cimeira entre o presidente dos Estados Unidos e o líder da Coreia do Norte terminou esta quinta-feira, em Hanói, sem que fosse alcançado qualquer acordo. Na conferência de imprensa após o encontro entre os dois líderes, Donald Trump disse não estar disposto a "abdicar de todas as sanções" sobre a desnuclearização, ao contrário do que Kim Jon-un pretendia.

A assessora de imprensa da Casa Branca, Sarah Sanders, adiantou que a segunda cimeira entre Donald Trump e Kim Jong-un foi encurtada e o almoço previsto entre os dois líderes não se realizou.

No início das negociações, ambos admitiram a abertura de gabinetes de ligação nos dois países, enquanto Kim afirmou estar disposto à desnuclearização. "Ele não fará testes nucleares. Confio na sua palavra", garantiu Trump. O presidente norte-americano disse desejar um bom acordo, mas indicou não ter pressa.

"A nossa relação é muito forte. Não desistimos de nada"

Durante a conferência de imprensa, disse que "ainda não era uma boa altura para assinar alguma coisa". "Não podíamos abdicar de todas as sanções" como o presidente da Coreia do Norte pretendia, adiantou.

Ainda assim, reforçou que a relação com Kim é "muito forte". "Nós não desistimos de nada", garantiu, revelando-se ansioso para futuras negociações com o líder norte-coreano. "Têm um tremendo potencial, inacreditável", reforçou Donald Trump. Mas ainda não se compromete com uma terceira cimeira.

O presidente dos EUA aproveitou ainda a oportunidade para sublinhar que "muitos presidentes (anteriores) deveriam ter feito isto" - referindo-se à ligação que tem atualmente com Kim Jon-un - "mas ninguém o fez". "E eu não estou a criticar a administração Obama, mas muitas administrações", remata.

Também questionado sobre se o presidente sul-coreano Moon Jae-in tinha atingido um ponto difícil quando se trata de trabalhar a paz na península coreana, o presidente Trump disse que falaria com este líder na quinta-feira. "Iremos contactar o presidente Moon muito em breve, assim que eu entrar no avião", disse. "Ele está a trabalhar arduamente e adoraria ver um acordo".

Batalha contra Cohen

Também houve espaço para discutir a batalha que trava atualmente contra o seu ex-advogado, que está acusado de perjúrio e obstrução à justiça. Trump criticou os democratas por terem marcado a audiência de Michael Cohen para a mesma hora da cimeira, classificando a decisão como "terrível".

"Acho que ter uma audiência falsa como esta e tê-la no meio desta cimeira muito importante foi realmente uma coisa terrível", declarou o presidente dos EUA.

Trump revelou ter assistido ao depoimento de Cohen, na quarta-feira, no Capitólio, que achou "bastante vergonhoso". Disse ainda que o ex-advogado "mentiu muito" durante a sessão e que ficou "surpreendido" por este ter afirmado "não existir um conluio com a Rússia". "Ele mentiu sobre muita coisa, mas não mentiu sobre isto", rematou.

Michael Cohen enfrenta uma pena de prisão de três anos. O ex-advogado de Trump alega que o líder norte-americano sabia que o seu consultor político Roger Stone estaria em contacto com o fundador do portal Wikileaks, Julian Assange, pouco tempo antes da publicação dos e-mails que comprometiam a corrida à presidência da candidata democrata, Hillary Clinton.

Num testemunho enviado aos meios de comunicação social norte-americanos antes da audiência, acusa o presidente de ser "racista", "burlão" e "um engano".

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