Morreu o chef Anthony Bourdain

O chef Anthony Bourdain morreu esta sexta-feira. Tinha 61 anos. O norte-americano suicidou-se, avança a CNN

Anthony Bourdain morreu esta sexta-feira, aos 61 anos. A notícia foi avançada pela CNN. A estação de televisão adianta que o chef norte-americano se suicidou.

De acordo com a CNN, Bourdain estava em Estrasburgo, em França, para as filmagens do seu programa de televisão "Parts Unknown" e foi encontrado morto no seu quarto de hotel por um amigo, o chef francês Eric Ripert.

"É com profunda tristeza que confirmamos a morte do nosso amigo e colega, Anthony Bourdain", escreveu a estação de televisão norte-americana no site.

"O seu amor pela grande aventura, novos amigos, boa comida e bebida fizeram dele um contador de histórias único. Os seus talentos nunca deixaram de nos surpreender e vamos sentir muito a sua falta. Os nossos pensamentos e orações estão com a sua filha e família neste momento incrivelmente difícil", acrescenta a CNN.

Escritor e um dos chef de cozinha mais famosos do mundo, Anthony Bourdain esteve em Lisboa, Porto e nos Açores a gravar episódios dedicados à gastronomia portuguesa.

Em fevereiro do ano passado, o norte-americano passou um fim de semana no Porto a gravar um episódio do "Parts Unknown" ("Viagem ao Desconhecido" na tradução para português), emitido na CNN e no 24 Kitchen. Um programa pelo qual Bourdain recebeu o prémio Peabody em 2013.

"Ele é irreverente, honesto, curioso, nunca condescendente. O prémio vai para 'Anthony Bourdain: Parts Unknown' por expandir os nossos paladares e horizontes em igual medida", justificaram os Peabody Awards.

Antes, em 2011, Anthony Bourdain esteve na capital portuguesa para um episódio do programa "No Reservations".

Em 2009, o conhecido chef e divulgador da gastronomia mundial visitou os Açores para o mesmo programa.

O chef norte-americano nasceu em Nova Iorque, no dia 25 de junho de 1956, e deixa uma filha, Ariane, de 10 anos, fruto do seu segundo casamento com Ottavia Busia. O casal divorciou-se em 2016, após nove anos de matrimónio.

O primeiro casamento de Anthony Bourdain foi com Nancy Putkoski, namorada dos tempos de escola. Estiveram juntos ao longo de duas décadas e divorciaram-se em 2005.

Bourdain namorava com a atriz italiana Asia Argento desde 2016.

Formado no Culinary Institute of America, Bourdain estreou-se na televisão em 2002 no The Food Network com o programa "A Cook's Tour". Seguiu-se o "Anthony Bourdain: No Reservations", no Travel Channel, (2005-2012), programa premiado com dois Emmys.

Desde 2013 apresentava na CNN "Parts Unknown" ("Viagem ao Desconhecido"). O antigo Presidente dos EUA, Barack Obama apareceu no episódio dedicado ao Vietname.

Antes dos programas de viagens e gastronomia, Bourdain tornou-se conhecido pelos livros. Foi através das palavras que deu a conhecer a sua irreverência e de ser politicamente incorreto, uma imagem de marca também no pequeno ecrã, sempre com o pretexto de dar a conhecer a gastronomia mundial.

"Cozinha Confidencial", editado em 2000, relata a sua experiência nos "recantos escuros do submundo" das cozinhas mais famosas do mundo. "Sexo, drogas, mau comportamento e grande cozinha", lê-se no livro do renomado chef.

A estreia na escrita foi em 1999 quando assinou um artigo na revista New Yorker, com o título "Não coma antes de ler isto", que, um ano mais tarde, foi transformado precisamente no livro "Cozinha Confidencial", que o catapultou para a fama.

A obra, editada em Portugal pela Livros d'Hoje, foi um best-seller do New York Times.

Escritor António Lobo Antunes chocado com a morte de Anthony Bordain

António Lobo Antunes e a mulher, Cristina, foram duas das pessoas que privaram com Anthony Bourdain durante a sua passagem por Lisboa, no final de 2011.

"Esta morte foi muito chocante e triste. Jantámos juntos, ele queria conhecer-me", recorda ao DN o escritor António Lobo Antunes

O encontro foi proporcionado pela editora Leya, que publica os livros de António Lobo Antunes, a pedido de Anthony Bourdain, que quis conhecer o autor de quem andava a ler a obra "Fado Alexandrino".

"Esta morte foi muito chocante e triste. Jantámos juntos, ele queria conhecer-me... Estava muito cansado porque tinha passado a noite a ler o meu livro", recorda ao DN o consagrado autor, que adianta ter ficado "amigo" de Bourdain.

"Conheci um homem muito agradável, inteligente, culto, muito simpático, educado, com uma grande cultura geral". E com jeito para a escrita."Ele deu-me alguns livros dele, muito bem escritos por sinal", elogia Lobo Antunes.

"Recordo-me do olhar dele e da honestidade com que falou da sua vida. Senti que era um homem atormentado", diz Cristina Lobo Antunes, mulher do escritor

Cristina Lobo Antunes, mulher do escritor, acompanhou-o ao jantar com o intrépido chef. O local escolhido foi A Tasca do Chico, no Bairro Alto, em Lisboa. Como por lá não servem jantares, os comensais tiveram de se contentar com uma noite de petiscos e fado. "Comemos pão com queijo e ouvimos a Carminho", recorda.

O pano de fundo ideal para o que se viria a conversar naquela mesa. "Recordo-me do olhar dele e da honestidade com que falou da sua vida. Senti que era um homem atormentado", diz a ex-jornalista, remetendo para o passado de drogas que Anthony Bourdain não teve vergonha em tornar público.

Apesar do peso do passado, Bourdain "tinha um sorriso lindo", solta António Lobo Antunes que falou com o chef sobre muitas coisas naquele jantar. "Ele fez muitas perguntas sobre a Guerra em Angola", comenta Cristina Lobo Antunes que nunca vai esquecer aquela noite: "Foi muito forte e intensa".

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