Charles Tannock: O que aconteceu a May "é uma derrota acima do que se esperava"

O eurodeputado conservador britânico espera que a Câmara dos Comuns afaste definitivamente o fantasma de um Brexit desordenado.

Em entrevista à TSF e ao DN, em Estrasburgo, o eurodeputado conservador britânico Charles Tannock não esconde que a colega de partido fica muito fragilizada depois de uma nova derrota na Câmara dos Comuns.

A derrota desta noite era o que se esperava?
Não. Isto é uma derrota acima do que se esperava. Eu achava que ela ia perder, mas talvez por 20 ou 30 votos, [no] máximo.

O que é que a primeira-ministra deve fazer? Ela tem condições políticas para continuar no cargo?
Isso é complicado. Não vou fazer comentário sobre isso. Mas, acho que ela tem a possibilidade agora de dizer que o o acordo está morto [e] não se pode ressuscitar com uma terceira tentativa de re-submeter isto a um voto daqui a duas semanas. O acordo está morto. E, ela agora tem de decidir para ter um novo referendo, que é o que eu prefiro e faria campanha para ficar. Ou ter um modelo tipo Noruega, dentro do Mercado Interno e dentro da União Aduaneira. Já não haverá necessidade do backstop, na questão na questão da Irlanda. E, a economia também teria grandes vantagens, de ficarmos dentro do modelo económico da União Europeia. Portanto, eu não sei o que é que ela vai fazer. Talvez ela queira ter uma eleição antecipada. Vai ser muito complicado. Mas, ninguém sabe. Estamos em terra incógnita.

O que espera que aconteça esta quarta-feira?
Acho que vai haver outro voto e vai haver a exigência da Câmara dos Comuns, para o governo pedir um prolongamento do artigo 50.º, até talvez ao fim de Junho ou pelo menos o dia 23 de Maio, que é a data das eleições. Portanto, vai pedir mais seis semanas ou três meses, de prolongamento do artigo 50.º.

No encontro de Theresa May, com o presidente da Comissão Europeia disse-se que se o acordo [de retirada] não fosse aprovado, que havia a possibilidade do Reino Unido nunca sair da União Europeia. Acredita que isso pode acontecer?
É possível. Eu gostaria que isso fosse assim. Sou um europeista convicto. Acho que o Brexit foi um grande erro histórico. Foi baseado em muitas mentiras ditas. O Reino Unido, os jovens, a juventude [britânica] vai ficar muito feliz, se nós ficarmos dentro da União Europeia. Não é provável, porque não há dúvida que o [Jeremy] Corbyn, o líder do Partido Socialista também quer sair, também é "brexiter". Portanto, é difícil de ver uma situação em que haja um segundo referendo. Mas, só é possível através de um segundo referendo.

Acredita que tudo pode combinar-se para que tal aconteça?
Estamos completamente em águas desconhecidas. Ninguém sabe exactamente o que é que vai passar-se agora. Mas, acho que no imediato há que pedir um prolongamento do artigo 50.º, pelo menos seis semanas, a três meses, para pensar bem. Mas, acho que o acordo está morto. Acho que seria incrível, se a senhora May quisesse, de novo, re-submeter isto [o acordo de retirada a votação] pela terceira vez. Ela proíbe que haja um segundo referendo, mas voltar três vezes à Câmara dos Comuns, seria ridículo, na minha opinião.

Em Estrasburgo

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Maria Antónia de Almeida Santos

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