Centenas de milhares de cidadãos de países da União Europeia que estejam a viver no Reino Unido podem ter problemas para garantir uma autorização para ficarem no país após o brexit, concluíram peritos em migrações consultados pelo The Guardian..O Observatório das Migrações da Universidade de Oxford admite que centenas de milhares de pessoas deverão ter dificuldades para cumprir com as exigências do programa que se inicia na segunda metade do próximo ano, e deverão ser excluídos todos aqueles que não conseguirem provar que viveram legalmente no Reino Unido nos últimos cinco anos, os que não se candidatarem ao programa no período designado e ainda os que se tenham ausentado por períodos significativos, ainda que com justificação, do Reino Unido.."A maioria dos cidadãos da União Europeia deverá ter poucos problemas a resolver o seu estatuto se o sistema simplificado proposto pelo governo for adiante. Mas há ainda grandes questões sobre o que irá acontecer à minoria que não tem provas oficiais de que vive no Reino Unido", disse ao Guardian Madeleine Sumption, a diretora do observatório..[artigo:8907524].O ministro da Imigração britânico, Brandon Lewis, anunciou na terça-feira que o programa de candidaturas para os três milhões de cidadãos da União Europeia que vivem no Reino Unido vai incluir um questionário online com seis a oito questões, custará a cada cidadão sensivelmente o mesmo que um passaporte britânico - 72 libras, cerca de 80 euros - e deverá dar resposta a cada pedido num prazo de duas semanas a partir da entrega.."Dependendo da documentação solicitada, algumas pessoas poderão não ter capacidade para oferecer o ónus da prova. Por exemplo, pessoas que estão a trabalhar sem declarar os rendimentos podem ter dificuldades em demonstrar que estiveram a trabalhar no Reino Unido durante cinco anos", lê-se num relatório do Observatório das Migrações. "Algumas pessoas elegíveis para ficarem podem não se candidatar no período de dois anos proposto, por exemplo, porque não têm noção de que têm de o fazer, julgam que não são elegíveis, não falam inglês suficiente para navegarem o processo, não têm acesso a um computador ou têm outros problemas, como indigência ou deficiências que constituem entraves", refere o mesmo relatório..Quem não entrar com o processo online no período designado torna-se um residente ilegal e pode ser detido e expulso do Reino Unido. "O processo de registo para os cidadãos da União Europeia é propenso à controvérsia. Alguma indicação de fraude irá fazer rapidamente manchetes, mas se o ónus da prova for forte e pessoas elegíveis para permanecerem perderem o estatuto legal, será perdida a confiança no sistema", concluiu Madeleine Sumption.