Deneuve e mais 99 defendem: eles têm o direito de "importunar"

"Esta vontade de mandar os homens para o matadouro, em vez de ajudar as mulheres a serem mais autónomas, ajuda os inimigos da liberdade sexual", lê-se numa carta aberta publicada no Le Monde

A atriz Catherine Deneuve, de 74 anos, e outras 99 mulheres francesas denunciaram esta terça-feira uma campanha anti masculina depois do escândalo Harvey Weinstein e dos escândalos de abusos sexuais em Hollywood que se seguiram. Dizem a campanha #Metoo, contra o assédio é sexual, é demasiado "puritana" e tem por base o "ódio aos homens".

São já vários os movimentos - com os Globos de Ouro a serem também uma demonstração - contra os casos de assédio e abuso sexual, que se refletiram em larga escala nas redes sociais em todo o mundo, França incluída.

"Esta vontade de mandar os homens para o matadouro, em vez de ajudar as mulheres a serem mais autónomas, ajuda os inimigos da liberdade sexual", dizem as mulheres numa carta aberta escrita no Le Monde e citada pela Reuters.

O direito masculino de "importunar" uma mulher é essencial na liberdade sexual, dizem as cem mulheres, que voltam a descrever as campanhas como demasiado "puritanas".

Marlen Schiappa, ministra francesa que está incumbida de lutar contra a violência contra as mulheres, disse à Reuters que o escândalo de Weinstein forçou a repensar a atitude contra o assédio sexual na França. Schiappa tem consultado a nível nacional a hipótese de criar leis que incluam mais medidas, preventivas e punitivas, no que toca ao assédio sexual.

"A justiça vigilante (online) tem punido os homens nos seus trabalhos, forçando-os a demitirem-se, quando tudo o que eles fizeram foi tocar um joelho ou tentar roubar um beijo", escrevem também as mulheres. "Defendemos o direito à importunação, que é vital para a liberdade sexual", acrescentam.

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