Bolsonaro venceu debate na internet

O candidato do PSL foi o mais citado nas redes sociais, após primeiro frente a frente na TV. "O que não significa necessariamente mais intenções de voto", diz especialista. No debate falou-se de economia, Lava-Jato, aborto, Jesus e até Portugal

Economia, corrupção, Lava-Jato, aborto, os direitos da mulher e Jesus Cristo. Falou-se de tudo no debate da TV Bandeirantes (Band), que há 30 anos marca o arranque da campanha eleitoral do Brasil.

"Nas mais imprevisíveis eleições da história do país", como reforçou o moderador Ricardo Boechat, oito candidatos enfrentaram-se pela primeira vez, ao longo de três horas e com mais de 60 perguntas, ora feitas por jornalistas, ora pelos próprios adversários uns aos outros.

No final, como de costume, venceram todos, segundos os seus staffs. Segundo a friea dos números da internet, o candidato Jair Bolsonaro, capitão do exército do PSL, conotado com a extrema direita, foi o mais procurado, seguido de Ciro Gomes, do PDT, de centro-esquerda,

"Ele é um fenómeno da internet mas, atenção, isso não significa intenção de voto, no entanto, mais buscas teve", concluiu Marco Túlio, especialista em media virtual da Google News que organizou o debate em parceria com a Band.

Bolsonaro, líder das sondagens, voltou a insistir numa arma para cada cidadão que a pretenda. "O bandido brasileiro continua muito bem armado, enquanto o cidadão de bem não pode comprar uma arma livremente".

A seu lado, o Cabo Daciolo, do Patriotas, outro militar de direita desconhecido do grande público mas que por lei participará nos debates, por pertencer a um partido com grupo parlamentar acima de nove congressistas, anunciou que "vai pegar os corruptos, em nome do senhor Jesus".

Guilherme Boulos, do PSOL, de extrema-esquerda, acusou por sua vez Bolsonaro de ser "machista e homofóbico". E perguntou ao rival se não tinha vergonha de ter mais imóveis comprados, cinco, do que projetos de lei apresentados, dois, ao longo da carreira política.

"Não vou discutir com desqualificado", reagiu Bolsonaro, irritado com Boulos, que é próximo do antigo presidente Lula da Silva.

Boulos, aliás, começou o debate afirmando "boa noite a Lula que está preso injustamente em Curitiba enquanto Temer anda solto em Brasília".

Não participou Lula, que em carta se disse vítima de censura, nem Fernando Haddad ou Manuela D"Ávila os candidatos a substituí-lo. Em retaliação, Haddad e Manuela fizeram um debate, a dois, nas redes sociais para concorrer com o da Band.

Além das controvérsias, falou-se de economia. Álvaro Dias, do Podemos, de direita, até citou Portugal, elogiando-lhe a política bancária de apenas 16% ao ano de juros por oposição à, disse, "exploração" dos bancos do Brasil.

Henrique Meirelles, que foi ministro das finanças até este ano e concorre pelo MDB, teve de se defender de ter pertencido ao super-impopular governo Temer.

Ciro Gomes e Geraldo Alckmin, do PSDB, de centro-direita, discordaram sobre as reformas laboral e da segurança social.

A candidata da Rede, a ambientalista Marina Silva, por sua vez, acusou os membros da "velha política" de acumularem condenações superiores a 500 anos. "Mais do que o descobrimento do Brasil".

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