Ataque a academia de polícia no Paquistão matou 62 pessoas

Três extremistas entraram nas instalações policiais e começaram a combater, detonado depois coletes de explosivos

O número de mortos num ataque esta noite a uma academia da polícia na cidade paquistanesa de Quetta subiu para 62, informaram as autoridades sobre aquele que foi um dos mais mortais ataques extremistas do ano.

"No ataque morreram 59 pessoas do centro policial, além dos três atacantes, e cerca de 100 pessoas ficaram feridas", disse à agência Efe Anwar-ul-Haq Kakar, porta-voz do Governo da província de Balouchistão, da qual Quetta é capital.

O ataque ao centro de formação de polícias começou antes da meia-noite quando três extremistas entraram nas instalações policiais e começaram a combater as forças de segurança, num confronto que durou várias horas e se prolongou pela madrugada de hoje, disse à Efe, ainda durante a noite, o porta-voz policial Gulab Khan.

Khan indicou que os três atacantes tinham coletes armadilhados e dois deles ativaram os explosivos que levavam.

Em declarações às televisões paquistanesas, Sarfraz Bugti, ministro do Interior da província de Balouchistão, disse que a operação já terminou e que as forças de segurança "limparam" o complexo de terroristas.

Durante o ataque cerca de 700 cadetes encontravam-se na academia, situada a cerca de 20 quilómetros de Quetta.

O major-general dos Frontiers Corps, Sher Afgan, disse à imprensa local que os atacantes pertenciam a um grupo insurgente sunita da vocação sectária Lashkar-e-Jhangvi.

Até agora nenhum grupo reivindicou o ataque.

O Balouchistão é palco habitual de ataques de grupos separatistas, milícias islamitas e redes mafiosas que operam em todo o país.

No passado mês de agosto, um ataque suicida matou 72 advogados num hospital, onde se tinham deslocado devido ao assassínio, uma hora antes, de um colega.

A província é a maior e a mais pobre do Paquistão, apesar de importantes recursos naturais, e é também estratégica, por ser por onde passam ambiciosas infraestruturas rodoviárias e energéticas que ligam a China ao Mar da Arábia.

Este corredor económico sino-paquistanês, que requereu 46 mil milhões de dólares de investimento chinês, tem sido alvo de ataques, designadamente de separatistas, mas a China tem-se declarado confiante quanto à capacidade do exército paquistanês para controlar a situação.

Apesar deste tipo de atentados, o Paquistão tem visto cair o número de ações terroristas, uma tendência que o Governo e o Exército atribuem à operação militar iniciada em junho de 2014 no noroeste do país contra alegados santuários talibãs.