Página falsa do movimento Black Lives Matter era gerida por australiano. E era uma fraude

A BLM não oficial tinha o dobro de seguidores da página de Facebook que está ligada ao movimento internacional. Australiano terá arrecadado 100 mil dólares com página

Paula Freitas Ferreira
 | foto BLM
an Mackay é acusado de ter ficado com 100 mil dólares em doações à BLM | foto National Union of Workers/Facebook

Era uma das maiores páginas de defesa dos direitos dos negros no Facebook. Chamava-se "Black Lives Matter" (BLM), como o movimento norte-americano contra a violência policial contra os negros, e contava com 700 mil seguidores. Entretanto foi desativada e as autoridades suspeitam que era gerida por um australiano que se apoderou de mais de 100 mil dólares de doações. A BLM não oficial tinha quase o dobro de seguidores da sua congénere oficial.

A investigação partiu da CNN que percebeu que a página não tinha qualquer ligação ao movimento internacional que faz campanha contra a violência direcionada a pessoas negras.

Segundo a cadeia de televisão, a BLM não oficial está ligada a Ian Mackay, um funcionário do sindicato australiano dos trabalhadores - o National Union of Workers (NUW). A página no Facebook era gerida por "BP Parker" e "Steve Parks", perfis anónimos, ambos ligados a domínios na web que pertencem a Mackay.

Os administradores da página que poderá ser uma fraude encorajavam as pessoas a doarem online através da página do Facebook e de outras páginas como Donorbox, PayPal, Patreon e Elegante. Segundo a CNN, uma das contas estava ligada a Mackay através do nome e de uma conta bancária australiana.

Em declarações ao jornal The Guardian, o secretário nacional do NUW, Tim Kennedy, revelou que a organização abriu uma investigação sobre as alegações que resultaram da investigação da CNN. O sindicato disse ainda que suspendeu Iam MacKay - nomeado vice-presidente da NUW, em 2015 - e outro funcionário, ambos ligados ao caso, até que esteja concluída a investigação interna.

Segundo o site Quartz, o caso é mais uma prova da falta de controlo do Facebook, até porque, segundo o site, um dos cofundadores da BLM, Patrisse Cullors, tinha feito chegar à plataforma uma suspeita de fraude e nenhuma ação foi realizada pela empresa.

Depois da CNN confrontar o Facebook com a investigação, a resposta foi que a página não oficial da BLM "não mostrou nada que violasse as nossas Normas da Comunidade".

O Facebook acabaria por remover a página esta segunda-feira, dias depois de desativar o perfil "BP Parker" por violar os padrões da comunidade.

Black Lives Matter (As Vidas Negras Importam) é um movimento ativista internacional com origem na comunidade afro-americana e que promove o debate sobre temas como a discriminação racial e a desigualdade racial no sistema de justiça criminal norte-americano.