Airbnb retira da plataforma casas em colonatos israelitas na Cisjordânia

A decisão da empresa americana irritou Israel. O Conselho de Yesha, que representa os colonatos israelitas, já acusou a Airbnb de antissemitismo. Human Rights Watch é uma das organizações a aplaudir e exorta a Booking a fazer o mesmo.

"Vergonhosa e infeliz", assim apelidou Israel a decisão da Airbnb de retirar da sua plataforma as casas situadas em colonatos israelitas na Cisjordânia. Em causa na decisão anunciada na segunda-feira, avança a BBC, estão cerca de 200 imóveis.

A empresa americana Airbnb justificou a sua decisão com o facto de os colonatos, considerados ilegais pela lei internacional rejeitada por Israel, estarem "no centro" do conflito israelo-palestiniano. Estes são, aliás, considerados pela comunidade internacional e pelos palestinianos com um dos maiores entraves à paz naquela região.

O ministro do Turismo israelita, Yariv Levine, evocou hoje novamente sanções contra a Airbnb na rádio pública, após a decisão "hipócrita e revoltante" desta plataforma, ameaçando com queixas a apresentar nos Estados Unidos contra o site.

O Conselho de Yesha, que representa os colonatos israelitas, acusou a Airbnb de se tornar "um site político" e disse que a decisão era "resultado de antissemitismo, de capitulação do terrorismo, ou de ambos".

O Centro Simon Wiesenthal, organização de direitos humanos judia com sede nos Estados Unidos, apelou à comunidade judaica de todo o mundo para boicotar a Airbnb.

Por outro lado, a decisão da Airbnb tem sido aplaudida por organizações pró-palestinianas e organizações defensoras dos direitos humanos, como a Human Rights Watch (HRW), que revelou no Twitter estar há dois anos em conversações com a empresa pelo facto de esta ser "intermediária do aluguer em colonatos ilegais de Israel". A HRW aplaudiu o "passo positivo" dado pela empresa americana e incitou outras empresas a segui-lo, nomeadamente a Booking.

"Booking.com e outras empresas ajudam a perpetuar um regime discriminatório na Cisjordânia continuando com as suas atividades" no território, referem a organização de defesa dos direitos humanos HRW e a organização não governamental israelita Kerem Navot num relatório divulgado hoje e intitulado "Cama e pequeno-almoço em terra roubada", refere a Lusa.

"Israelitas e estrangeiros podem alugar alojamentos nos colonatos, o que na prática é proibido aos que possuem documentos de identificação palestinianos", indicam as duas organizações.

Mais de 600 mil judeus vivem nos cerca de 140 colonatos criados desde que Israel ocupou a Cisjordânia e Jerusalém Oriental em 1967.

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