Hollande: "Ignóbil atentado terrorista" terminou com morte de padre

Estado Islâmico já reivindicou atentado perpetrado por dois homens numa igreja na Normandia. Uma pessoa já foi detida

O presidente francês confirmou esta terça-feira, em Saint-Etienne-du-Rouvray, que o sequestro que terminou com a morte do padre Jacques Hamel, de 86 anos, se tratou de um "ignóbil atentado terrorista". François Hollande revelou que os dois atacantes que se barricaram na igreja da vila na Normandia, com cinco reféns, terão dito agir em nome do Estado Islâmico.

A organização terrorista reivindicou entretanto o atentado através da Amaq, a agência de notícias oficial do Estado Islâmico. Uma pessoa já foi detida no âmbito da investigação ao atentado, avança a AFP. Segundo a edição online da Le Point, o detido é um menor, identificado pelas iniciais HB, que terá algum tipo de relação com um dos terroristas que atacaram a igreja. O Le Parisien refere, porém, que o detido não está ligado ao homicídio e que foi colocado sob custódia das autoridades por se ter aproximado demasiado do perímetro de segurança.

A Le Point adianta também que um dos dois perpetradores já terá sido identificado pelas iniciais AK, e que tinha sido detido por tentar juntar-se às fileiras do Estado Islâmico na Síria. Fora colocado em prisão preventiva mas entretanto libertado sob vigilância eletrónica.

Segundo o Figaro, a brigada de elite da polícia francesa está já a conduzir buscas na casa onde terá vivido um dos terroristas, na rua Nikolas Tesla em Saint-Etienne-de-Rouvray.

"Ignóbil atentado"

Hollande chegou ao final da manhã a Saint-Etienne-du-Rouvray, onde se encontrou com o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, que também se deslocou ao local. Numa breve declaração à imprensa, o presidente quis exprimir "solidariedade" perante o homicídio do padre da paróquia, perpetrado por dois terroristas que alegaram ser do grupo terrorista islâmico.

Classificando o ato com um "ignóbil atentado terrorista", Hollande referiu que este é mais um sinal de que o Estado Islâmico está em guerra contra a França. "Devemos lutar esta guerra com todos os meios, respeitando as regras da lei, que fazem de nós uma democracia", referiu. Hollande anunciou ainda que vai reunir amanhã, quarta-feira, os representantes dos cultos no Eliseu, e manifestou o seu "apoio" a todos os católicos franceses, sublinhando que o atentado tinha como alvo toda a França.

Estado Islâmico reivindicou atentado

O Estado Islâmico reivindicou entretanto o sequestro na igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray, através de um comunicado difundido pela Amaq, a agência de notícias oficial do grupo terrorista. A declaração refere que dois "soldados" levaram a cabo a operação em resposta ao apelo para atingir os países da coligação que combate o Estado Islâmico.

Esta manhã, dois homens armados com facas sequestraram cinco pessoas na igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray, tendo assassinado o padre de 84 anos e ferido outras três pessoas, uma das quais gravemente. Os dois atacantes foram abatidos pela polícia numa altura em que saíram para o adro da igreja, por motivos ainda não divulgados. O sequestro terá durado cerca de 40 minutos.

O Vaticano já condenou, em comunicado, a morte do padre na Normandia, que terá sido degolado. Jacques Hamel tinha 86 anos. Fora ordenado padre em 1958 e festejara os 50 anos de sacerdócio em 2008. "Somos particularmente atingidos porque esta violência horrível aconteceu numa igreja, lugar sagrado onde se anuncia o amor de Deus, com a matança bárbara de um padre e fiéis feridos".

Segundo a RTL, o padre Hamel não estava habitualmente na paróquia dos subúrbios de Rouen, a capital da Normandia. O padre Auguste Moanda Phuati, que a vítima substituía esta terça-feira, dia do sequestro, disse à estação que se tratava de uma pessoa corajosa e que, sensível à falta de padres em em território francês, tinha abdicado de se retirar aos 75 anos, como a igreja católica normalmente permite. "É um padre que era bem conhecido, porque há muitos anos que estava em Saint-Etienne, sempre ao serviço das pessoas", refere. "É difícil de viver isto". Jacques Hamel nascera em 1930 em Darnétal, localidade próxima de Rouen.

Um dos agressores com pulseira eletrónica?

A informação não é oficial, mas o jornal francês Le Figaro refere que um dos terroristas, que ainda estão a ser identificados, será um jihadista que tinha sido preso em 2015 e colocado sob vigilância com pulseira eletrónica em março de 2016. A procuradoria antiterrorismo de Paris terá recorrido desta decisão da justiça. O homem terá sido impedido pelas autoridades turcas de entrar na Síria e por isso foi repatriado para França e preso, adianta a RTL.É este homem que a edição online da Le Point identifica como AK.

O jornal suíço Tribune de Genève dá mais pormenores: refere que AK tem 19 anos, nacionalidade francesa e foi preso no aeroporto de Genebra em maio de 2015, depois de ter sido expulso da Turquia, ao tentar chegar à Síria. Foi então extraditado para França.

Terá tentado inicialmente partir para território sírio através de Munique, Alemanha, sem sucesso.

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