Historiador russo dos Gulag condenado a 13 anos de prisão

O historiador russo Yuri Dmitriev, conhecido pelo seu trabalho sobre os Gulag e a repressão no período de Estaline, foi condenado a 13 anos por abuso sexual de uma criança. Apoiantes de Dmitriev falam em perseguição política.

O investigador e ativista, de 64 anos, que realizou pesquisas com a organização Memorial para encontrar valas comuns com os restos mortais de vítimas do regime estalinista e esteve na origem da descoberta de uma das maiores valas comuns em campos de trabalho forçados, foi detido em 2016, acusado de ter registado imagens "pornográficas" da sua filha adotiva.

Dmitriev argumentou que as fotografias da rapariga nua se destinavam a acompanhar o seu crescimento e foi absolvido em 2018.

Dois meses depois o Supremo Tribunal da Carélia reverteu esta decisão e ordenou um segundo processo à porta fechada, desta vez por "violências de caráter sexual sobre uma menor".

O investigador foi condenado em julho a três anos e meio de prisão, uma pena que já tinha cumprido em grande parte em prisão preventiva.

Os procuradores recorreram da sentença e o Supremo Tribunal de Carélia aplicou uma pena mais pesada.

"Dmitriev foi considerado culpado de cometer um crime punível com 13 anos de detenção num campo com um regime severo", de acordo com a sentença.

Para o chefe da organização não-governamental Memorial, especializada na documentação dos crimes estalinistas, Oleg Orlov, "é óbvio que o veredicto não se baseia na lei, que tem uma motivação política", disse em declarações à estação de rádio Echo de Moscovo.

O responsável informou que a Memorial e a defesa irão recorrer da sentença para um tribunal superior russo e formalizar uma queixa junto do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Para os seus apoiantes, este caso constituiu uma tentativa das autoridades de intimidar e silenciar Dmitriev, cujas investigações colidem com o discurso oficial russo de reabilitação da época soviética, em particular o longo consulado de Estaline que se prolongou por cerca de 30 anos até à sua morte em 1953.

Numerosas personalidades russas e estrangeiras denunciaram as perseguições injustificadas sobre
Yuri Dmitriev, apelando à mobilização contra a "falsificação" histórica.

A organização Memorial considera Dmitriev um prisioneiro político, acreditando que a verdadeira razão para o processar era "a sua atividade para preservar a memória" das vítimas da repressão política.

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