Há um foco de covid-19 na Casa Branca. Mas Trump ignora e Pence recusa isolar-se

Nos últimos dias foram registados casos positivos de covid-19 em três altos responsáveis pela saúde, todos eles parte da task force da Casa Branca para o combate ao novo coronavírus, na porta-voz do vice-presidente e num dos militares que estaciona os carros na residência do presidente e que estivera em contacto com ele.

"É assustador ir trabalhar", confessava no domingo à CBS Kevin Hassett, um dos principais conselheiros económicos do presidente Donald Trump. O desabafo surge depois de três responsáveis pela saúde, todos eles membros da task force que está a trabalhar com a Administração norte-americana na resposta ao novo coronavírus terem testado positivo. Mas não foram os únicos: na última semana também um dos militares que trabalha na Casa Branca a estacionar os carros, e estivera em contacto com o presidente, viu confirmada a infeção com covid-19, tal como aconteceu com a porta-voz do vice-presidente Mike Pence.

Mas nem mesmo este foco da doença em plena Casa Branca parece suficiente para demover Trump do seu objetivo: reabrir o país o mais rapidamente possível, para salvar a economia. Ou para convencer o vice-presidente Pence a ficar em isolamento de forma preventiva após a porta-voz, Katie Miller, ter testado positivo.

No domingo à noite as primeira notícias davam conta de que o vice-presidente iria comprir a quarentena de duas semanas. Mas rapidamente o seu gabinete veio desmentir a informação. Pence "testou negativo todos os dias e planeia estar na Casa Branca [esta segunda-feira], garantiu à CNN Devin O'Malley, outro dos porta-vozes do vice-presidente.

Quem está mesmo de quarentena é Anthony Fauci, o diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas, que tem sido o rosto e a voz da ciência nas conferências de imprensa do presidente Donald Trump. Além do epidemiologista, estão ainda em isolamento outros dois médicos da task force da Casa Branca para o combate à covid-19: o diretor do Centro de Prevenção de Doenças Infecciosas (CDC, na sigla em inglês), Robert Redfield, e o chefe da agência norte-americana para os alimentos e os medicamentos (FDA), Stephen Hahn.

Os três deviam testemunhar numa comissão do Senado na terça-feira, sendo que foram autorizados a fazê-lo por videoconferência.

Com o número de mortos por covid-19 a já ter ultrapassado as 80 mil nos EUA - de longe o país com mais vítimas mortais da doença - o The New York Times denuncia este foco do novo coronavírus dentro das quatro paredes do número 1600 da Pennsylvannia Avenue.

Só em abril mais de 20 milhões de pessoas perderam os empregos nos Estados Unidos, deixando o país à beira da pior crise desde a Grande Depressão dos anos 30. Pior ainda do que a crise do subprime que atingiu o país em 2008 e arrastou com ela a economia mundial.

É com estes números em mente que Trump insiste no discurso da reabertura. Com eleições presidenciais marcadas para novembro, o republicano sabe que a reeleição depende e muito da forma como salvar a economia. Recusando sempre usar máscara, mesmo indo contra as recomendações dos seus especialistas em saúde pública, Trump tem martelado: "Temos de voltar a abrir o país. As pessoas querem voltar ao trabalho e vão ter um problema se não o fizerem".

Apesar das garantias do presidente, há quem tenha medo de sair para ir trabalhar. Sobretudo na Casa Branca. Na mesma entrevista à CBS, Kevin Hassett explica que trabalhar na West Wing, onde ficam os gabinetes do presidente, vice-presidente e dos seus colaboradores mais próximos "é um pouco arriscado" porque é "um local pequeno e com muita gente". E o conselheiro económico não tem dúvidas que "seria muito mais seguro se estivesse em casa do que ir para a West Wing", mesmo se sublinhou que "temos de o fazer porque temos de servir o nosso país. E há coisas que só se podem fazer lá".

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