"Há dignidade a respeitar. Fillon está para além disso"

Presidente da França disse que Fillon, candidato às presidenciais, ultrapassava as fronteiras da dignidade

O Presidente francês, François Hollande, afirmou hoje que o candidato da direita conservadora à presidência francesa, François Fillon, ultrapassou as fronteiras da "dignidade e responsabilidade" ao acusá-lo de dirigir uma campanha de "fugas de informação".

"Não quero entrar no debate político, mas há dignidade, responsabilidade a respeitar. Fillon está para além disso", afirmou Hollande, a um mês das eleições presidenciais em França, agendadas para 23 de abril e 07 de maio, caso venha a ser necessário uma segunda volta do escrutínio.

François Fillon acusou Hollande na quinta-feira à noite, numa entrevista durante o "prime-time" com o canal de televisão "France 2", de liderar "um gabinete negro" e de estar por detrás de uma campanha de fugas de informação contra si, apelando à abertura de um inquérito com base num livro de três jornalistas a ser publicado em breve.

É um livro (...) que explica que François Hollande fez subir todas as escutas judiciais que interessavam ao seu gabinete, o que é totalmente ilegal

"Se andávamos à procura de um gabinete negro, encontrámo-lo", concluiu o candidato conservador, exigindo a "abertura de um inquérito sobre as alegações publicadas neste livro", da autoria de três jornalistas, dois deles do Canard Enchaîné.

"Há dois meses que a imprensa anda a atirar-me lama", afirmou Fillon na entrevista, acusando Hollande de orquestrar as fugas de informação que estiveram por detrás das revelações explosivas relacionadas com o caso dos empregos públicos fictícios criados para a sua mulher e filhos.

"Escutem, há um gabinete, felizmente funciona", ripostou hoje François Hollande. "Conhecem a minha posição, sempre foi a favor da independência do poder judiciário, do respeito pela presunção de inocência e de nunca interferir", acrescentou o chefe de Estado francês, que decidiu não se recandidatar ao Eliseu.

Uma investigação ao escândalo dos empregos fictícios, com base num artigo publicado, precisamente, pelo Canard Enchaîné em janeiro, levou o Ministério Público francês a acusar este mês François Fillon de uso indevido de fundos públicos.

Apesar de não ser proibido que um deputado em França dê emprego a um familiar, a mulher de Fillon, Penélope, é acusada de não justificar os 680 mil euros que recebeu em salários.

François Fillon liderava as sondagens para as próximas eleições presidenciais quando o escândalo eclodiu e agora os estudos de intenção de voto apontam para que não ultrapasse a primeira volta do escrutínio, no dia 23 de abril.

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