Camião com ajuda humanitária incendiado. Maduro "mais firme que nunca"

Presidente interino está na Colômbia a acompanhar a entrada da ajuda humanitária internacional na Venezuela. Dia tem sido marcado por confrontos, com as autoridades a dispararem balas de borracha e gás lacrimogéneo contra os manifestantes. Maduro diz-se "mais firme do que nunca".

A entrada de ajuda humanitária, especialmente os bens fornecidos pelos Estados Unidos, no território venezuelano tem sido um dos temas centrais nos últimos dias do braço-de-ferro entre o autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó, e Nicolás Maduro.

Guaidó apelou a partir da Colômbia para que "não haja violência neste processo" de ajuda humanitária e pediu ao Exército venezuelano que deixe passar os camiões de ajuda humanitária internacional.

Pouco depois das 16.00, o presidente interino anunciou na rede social Twitter que o primeiro camião, de dois, com ajuda humanitária proveniente do Brasil entrou na Venezuela.

"Anunciamos oficialmente que a primeira remessa de ajuda humanitária já entrou pela nossa fronteira com o Brasil", escreveu Guaidó, que se encontra na cidade colombiana de Cúcuta, onde assistiu, na fronteira, à partida simbólica de camiões com ajuda humanitária para a Venezuela. No entanto, uma fonte citada pela Reuters diz que, já em solo venezuelano, o camião terá ficado retido na alfândega.

No entanto, adianta a agência Lusa, dois camiões com ajuda internacional dos governos brasileiro e norte-americano ainda se encontram do lado brasileiro da fronteira com a Venezuela, em Pacaraima. "Estamos aguardando para passar a ajuda humanitária. O povo precisa. Os venezuelanos estão precisando disso hoje", disse a deputada da oposição venezuelana, Yuretzi Idrogo. Entretanto, dezenas de venezuelanos aguardam na fronteira do Brasil com a Venezuela, à volta de dois camiões com bens alimentares e 'kits' de material médico e medicamentos.

Na fronteira com a Colômbia

Por volta das 18.00, o presidente interino anunciou a entrada na Venezuela dos camiões de ajuda humanitária vindos da Colômbia, mas adiantou que estes estavam a ser bloqueados pelas autoridades do Governo de Maduro: "o regime usurpador está a impedir a sua passagem".

Perante o bloqueio nas fronteiras, uma das soluções encontradas terá sido descarregar alguns camiões na ponte Simon Bolivar, do lado da Colômbia, e transportar a ajuda através de um cordão humano até à fronteira, avançou a agência Reuters, que cita a agência de imigração colombiana.

Segundo o El País, os venezuelanos que tentam atravessar a ponte com a ajuda temem mais os coletivos (grupos de choque fiéis ao regime de Nicolás Maduro) do que as próprias forças de segurança.

Entretanto, Juan Guaidó publicou no Twitter o momento em que recebeu os membros da Guarda Nacional Bolivariana venezuelana, que desertaram hoje na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia, e pediram a proteção das autoridades na cidade colombiana de Cúcuta.

Poucas horas de começar uma tentativa de entrega de ajuda humanitária internacional à Venezuela, a tensão na fronteira com a Colômbia aumentou, com as pessoas a tentar saltar as barricadas para passar de um país para o outro e a ser repelidas pelos militares venezuelanos com gás lacrimogéneo e balas de borracha.

Apesar da escassez de alimentos e medicamentos no País, as forças de segurança receberam ordens para não deixar entrar ajuda humanitária na Venezuela.

Hoje é a data limite anunciada pelo autoproclamado Presidente interino venezuelano, Juan Guaidó, para a entrada no país de 14 camiões e 200 toneladas de ajuda humanitária reunida para a Venezuela.

Juan Guaidó, opositor de Maduro e reconhecido por mais de 50 países como Presidente interino do país, prometeu introduzir essa ajuda humanitária na Venezuela neste dia, numa operação para a qual estão mobilizados milhares de cidadãos.

Manifestação em Caracas

Na capital do país, os manifestantes prestam apoio a Nicolás Maduro, que se juntou à população, enquanto a oposição se concentra para pedir a entrada de ajuda humanitária na Venezuela.

"A Venezuela está nas ruas, mobilizada, porque estamos a lutar pela paz. Ou vocês querem que volte a violência? Estamos a batalhar pela paz, mas pela paz com independência, com justiça e igualdade social. Paz com dignidade nacional. É uma luta pela dignidade da Venezuela contra quem quer que nosso país se ajoelhe perante os gringos, perante a oligarquia decadente da Bolívia", disse Maduro, citado pelo El País. E acrescentou: "Não é tempo de traição".

Nas declarações aos manifestantes, Maduro chamou "presidente marionete" a Juan Guaidó e questionou quais as razões pelas quais ainda não tinha convocado eleições, uma vez que, se tinha o poder, devia tê-lo feito dentro de 30 dias, "como manda a Constituição" venezuelana.

"Estou mais firme que nunca, em pé, governando nossa pátria agora e por muitos anos", garante Nicolás Maduro, desafiando Guaidó a convocar eleições. "Vamos ver quem tem votos e quem ganha eleições nesse país!", afirmou.

Do palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, Maduro aproveitou, ainda, para anunciar o fim das relações diplomáticas com a Colômbia. "Você é o diabo, Iván Duque, você vai queimar por dentro! Todo aquele que se mete com a Venezuela paga por isso".

De acordo com os relatos dos jornalistas do El País América, enquanto Maduro discursava, as autoridade venezuelanas continuavam a impedir a entrada da ajuda humanitária que chega da Colômbia na ponte Francisco de Paula Santander e na ponte Tienditas. Para afastar a multidão, os agentes lançam gases lacrimogéneos.

No Twitter, Juan Guaidó revelou que os apoiantes de Maduro tentaram queimar um dos camiões com ajuda humanitária, em Ureña. "Os nossos voluntários estão a fazer uma corrente para proteger alimentos e medicamentos. A avalanche humanitária é imparável", escreveu.

Em conferência de imprensa, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, reconheceu que uma grande parte da ajuda não entrou na Venezuela, mas afirmou estar seguro que "a ditadura vai cair". "Uma parte da ajuda conseguiu entrar, outra parte foi bloqueada pela violência do regime usurpador [de Caracas]", afirmou, ao lado de Luis Almagro, Iván Duque e Juan Guaidó.

"A ditadura usurpadora foi covarde e indecente e bloqueou parcialmente a ajuda humanitária até agora. Paramilitares foram usados ​​como meios repressivos, tiros foram disparados contra pessoas desarmadas", disse Almagro, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA).

De acordo com a atualização feita por volta das 19.00, elevou-se para 23 o número de soldados venezuelanos que desertaram.

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