Governo da Nigéria diz "estar em contacto" com quem divulgou vídeo de estudantes de Chibok

Ministro da informação nigeriano diz que ainda não foi possível confirmar autenticidade do vídeo

O Governo nigeriano afirma "estar em contacto" com o grupo extremista Boko Haram acerca do vídeo divulgado hoje das alegadas estudantes de Chibok, raptadas no nordeste da Nigéria em abril de 2014.

No novo vídeo, um homem exorta o Governo nigeriano a libertar os combatentes do Boko Haram que prendeu.

"Como não é a primeira vez que somos contactados desta maneira queremos assegurar-nos de que aqueles com quem estamos em contacto são quem eles dizem ser", declarou o ministro da Informação nigeriano, Lai Mohammed, citado num comunicado do Governo.

"Estamos a ser extremamente cuidadosos porque a situação foi agravada pela divisão na liderança do Boko Haram", adiantou Mohammed.

O ministro referia-se à disputa entre Abubakar Shekau, que diz continuar na liderança do movimento, e Abu Musab al-Barnawi, apoiado pelo grupo extremista Estado Islâmico e que num vídeo recente é indicado como o novo chefe do Boko Haram.

O grupo islâmico nigeriano é conhecido por ter várias fações que nem sempre atuam sob ordens diretas dos principais comandantes.

O Boko Haram divulgou hoje um novo vídeo que diz ser das estudantes raptadas há mais de dois anos em Chibok, mostrando que algumas ainda estão vivas e alegando que outras morreram em ataques aéreos.

O grupo radical islâmico nigeriano raptou 276 estudantes de uma escola secundária em Chibok na noite de 14 de abril de 2014, tendo 57 conseguido fugir pouco depois.

Nada se sabia das restantes 219 desde a divulgação de um vídeo pelos radicais em maio de 2014, até que uma mensagem, uma aparente "prova de vida", foi enviada ao Governo nigeriano no início deste ano.

Em maio, duas estudantes foram encontradas na floresta de Sambisa, no estado de Borno, considerado um dos últimos bastiões do Boko Haram.

O sequestro das estudantes provocou indignação e trouxe atenção a nível mundial para a rebelião do Boko Haram, que já causou pelo menos 20.000 mortos e mais de 2,6 milhões de deslocados desde 2009.