Metade dos franceses contra maioria de Macron nas legislativas

Um em cada dois franceses afirma querer "uma outra maioria" na Assembleia Nacional e apenas 34% diz querer que Macron obtenha "uma maioria para governar"

Metade (49%) dos franceses está contra uma maioria parlamentar de Emmanuel Macron nas legislativas de junho, defendida apenas por um terço (34%), segundo uma sondagem divulgada hoje.

O candidato centrista Emmanuel Macron venceu no domingo a segunda volta das presidenciais francesas, com 66%, derrotando a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen (34%).

No discurso de vitória, Macron agradeceu também aos que votaram nele para impedir uma vitória de Le Pen, mesmo não partilhando das suas ideias, e pediu "uma maioria forte" nas legislativas de 11 e 18 de junho.

Na sondagem hoje divulgada, realizada pelos institutos Kantar Sofres -- One Point para as televisões RTL e LCI e o jornal Le Figaro, um em cada dois (49%) franceses afirma querer "uma outra maioria" na Assembleia Nacional e apenas um em cada três (34%) diz querer que Macron obtenha "uma maioria para governar".

No mesmo sentido, quase dois terços (69%) dos inquiridos afirmam esperar que as legislativas tenham um resultado diferente das presidenciais e quase um quinto (18%) que resultem numa maioria que apoie o novo Presidente da República.

Questionados sobre a probabilidade de Emmanuel Macron obter uma maioria de deputados na Assembleia, 43% consideram não ser provável e 40% consideram provável.

A sondagem foi realizada a 04 e 05 de maio, portanto antes da segunda volta, que se realizou a 07 de maio.

Na análise dos resultados, os institutos consideram que o posicionamento do eleitorado pode levar à eleição de um parlamento dividido, com pesos políticos equivalentes, pelas quatro forças políticas mais votadas na primeira volta, que se realizou a 23 de abril: En Marche!, de Emmanuel Macron, Frente Nacional, de Marine Le Pen, Os Republicanos, de François Fillon, e a França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon.

"A maioria legislativa do presidente eleito não é algo óbvio na mente dos franceses, não há uma 'evidência' de que as legislativas só servem para confirmar as presidenciais", explicou Emmanuel Rivière, diretor-geral da Kantar Public, ao Le Figaro.

O estudo faz uma simulação de voto na primeira volta das legislativas, em que o En Marche! de Macron e o MoDem de François Bayrou reúnem 24% das intenções de voto, Os Republicanos de Fillon, aliados com a UDI, 22%, e a Frente Nacional de Le Pen 21%.

A França Insubmissa de Mélenchon recolhe 15% das intenções de voto e o Partido Socialista 9%.

"A França dividida em quatro de 23 de abril pode voltar a ficar dividida em quatro a 11 de junho", afirmou Rivière.

A divisão parece contribuir para aumentar o interesse: 73% dos inquiridos afirmam estar interessados nas eleições legislativas, opinião especialmente expressiva entre os apoiantes de Macron (85%) e de Fillon (88%), que veem nesta eleição a hipótese de recuperar da derrota do seu candidato na primeira volta.

A equipa de Emmanuel Macron anunciou que o movimento que sustentou a candidatura presidencial, En Marche!, vai mudar de nome para La Republique En Marche (A República em marcha), sob o qual apresentará as listas de candidatos às legislativas.

Durante a campanha, Macron prometeu que metade dos nomes nessas listas serão pessoas sem candidaturas políticas anteriores, tal como ele até se candidatar -- e ser eleito -- presidente.

Emmanuel Macron toma posse no domingo e deverá anunciar nos próximos dias o nome do futuro primeiro-ministro e a composição do governo responsável por executar o seu programa: uma reforma da lei do trabalho, a redução da despesa pública, o reforço da cooperação franco-alemã.

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