França acusada de crime contra a humanidade devido a testes nucleares

Líder independentista da Polinésia Francesa acusa Paris de "colonialismo nuclear" e quer levar ex-presidentes ao Tribunal Penal Internacional.

O ex-presidente da Polinésia Francesa e atual líder de um partido independentista anunciou ter apresentado uma queixa contra o Estado francês junto do Tribunal Penal Internacional. Oscar Temaru acusa França de "crimes contra a humanidade" por se terem realizado cerca de 200 testes nucleares na Polinésia Francesa.

"Sabemos que esta é outra luta de David contra Golias", disse Temaru num encontro da comissão da ONU sobre a descolonização, em Nova Iorque. "O objetivo deste processo é levar à justiça todos os presidentes franceses vivos desde o início dos testes nucleares no nosso país. Devemo-lo a todos os que morreram em consequência do colonialismo nuclear", continuou.

Os atóis de Mururoa e Fangataufa foram palco de 193 ensaios nucleares entre 1966 e 1996. Valéry Giscard d'Estaing, de 92 anos, e Jacques Chirac, de 85 anos, são os únicos antigos presidentes que respondem aos critérios poderiam responder perante a justiça internacional.

"Os testes nucleares são o resultado direto da colonização. Ao contrário do discurso francês, não aceitámos receber esses testes, impostos pela ameaça direta do estabelecimento de um governo militar em caso de recusa", concluiu Temaru.

Presente na mesma reunião, o presidente da Polinésia Francesa, Édouard Fritch, rejeitou as acusações do líder independentista. "Reafirmo que o meu país é autónomo e que é governado de forma livre e democrática" - para de seguida negar que a Polinésia seja uma colónia e viva em opressão.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG