Flynn dá a Trump nova dor de cabeça sobre a Rússia

Ex-conselheiro do presidente recebeu dinheiro de três empresas russas, informação que não estava na sua declaração de rendimentos

Michael Flynn, o ex-conselheiro para a Segurança Nacional de Donald Trump, deixou de fora de uma declaração de rendimentos feita em fevereiro pagamentos que recebeu de três empresas russas, de acordo com documentos revelados este fim de semana pela Casa Branca. Este é mais um capítulo das ligações entre Flynn e Moscovo, que levaram à sua demissão da administração Trump a 13 de fevereiro, menos de um mês depois de ter assumido funções.

Nessa declaração inicial, que tem de ser feita por todos os funcionários da Casa Branca, o antigo general omitiu ter recebido verbas da estação de televisão pública russa RT, por um discurso em Moscovo, e da companhia aérea de carga Volga-Dnepr Airlines e da empresa de cibersegurança Kaspersky Government Security Solutions Inc. por palestras nos Estados Unidos.

Esta omissão foi corrigida numa nova declaração que Michael Flynn entregou na sexta-feira. De acordo com o advogado de Flynn, Robert Kelner, a diferença entre as duas declarações não é sinónimo de ter escondido informação, notando que o ex-conselheiro de Trump "tinha começado o seu processo de divulgação financeira quando deixou a Casa Branca".

"Este processo foi suspenso depois da sua demissão. Quando a Casa Branca lhe pediu, esta semana, para completar o processo e listar as conferências que deu, ele fê-lo", explicou o advogado à CNN. Flynn foi obrigado a demitir-se do cargo de conselheiro para a Segurança Nacional a 13 de fevereiro por não ter divulgado as conversas que manteve com o embaixador russo nos EUA, Sergei Kislyak, antes de Trump tomar posse, sobre a aplicação de sanções a Moscovo e ter induzido em erro o vice-presidente Mike Pence sobre o teor das mesmas.

As declarações de rendimentos de Michael Flynn mostram que, em 2016, o general ganhou 1,5 milhões de dólares (cerca de 1,4 milhões de euros) dos quais 827.055 em salários e bónus da sua empresa, a Flynn Intel Group.

No que diz respeito ao discurso para a RT e às palestras para as empresas aérea e de cibersegurança, Flynn escreveu que recebeu de cada uma "compensação que excedeu os 5000 dólares num ano". Mas, segundo informações divulgadas por democratas da Câmara dos Representantes, o ex-conselheiro de Trump terá recebido 45 mil dólares da RT, 11 250 da Volga-Dnepr Airlines e igual quantia da Kaspersky.

Flynn ofereceu-se na semana passada para testemunhar perante comissões do Congresso sobre possíveis ligações entre a campanha de Trump e a Rússia, mas pediu imunidade contra possíveis processos judiciais. Um pedido que ainda está a ser analisado, embora uma fonte do Congresso tenha dito à NBC News que a Comissão de Inteligência do Senado havia rejeitado o pedido de imunidade feito pelo general.

Tanto o Senado como a Câmara dos Representantes, através das suas comissões de inteligência, estão a investigar as alegadas interferências da Rússia nas eleições presidenciais de novembro, mas também as possíveis ligações entre cidadãos russos e elementos da campanha de Trump.

Além de Flynn, outros desses elementos é Jared Kushner, o genro do presidente, que se encontrou o presidente do banco VneshEconomBank, alvo de sanções dos EUA, mas também com o embaixador Kislyak. Kushner já aceitou testemunhar no Senado.

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