Filho de Bolsonaro ameaça com regresso da ditadura

Eduardo, líder parlamentar do partido do presidente, fala em implantar o ato que em 1968 suspendeu mandatos parlamentares, aplicou a censura, decretou prisões e execuções políticas e institucionalizou a tortura se a esquerda radicalizar. Partidos assinalam "o regresso às trevas". Juristas em "inconstitucionalidade".

Eduardo Bolsonaro ameaçou em entrevista com o regresso do Ato Institucional Número 5 (AI-5), a medida que em 1968, durante a ditadura militar brasileira, legalizou a suspensão imediata dos mandatos parlamentares contrários ao regime, institucionalizou a tortura ao suspender garantias constitucionais, aplicou a censura de tudo que saía na imprensa, na música, em filmes ou qualquer outro tipo de entretenimento ou manifestação cultural e levou à prisão de jornalistas e artistas, além da morte e desaparecimento de presos políticos.

Para o terceiro filho do presidente da república Jair Bolsonaro, tido como herdeiro político do pai, rosto do novo conservadorismo brasileiro, deputado federal, líder parlamentar do PSL e nomeado - e depois desnomeado - embaixador do país nos EUA, o AI-5, ou qualquer medida equivalente, será inevitável se a esquerda continuar a radicalizar nos ataques ao governo.

"Vai chegar um momento em que a situação será igual à do final dos anos 60 no Brasil, quando sequestravam aeronaves, quando se executavam e se sequestravam grandes autoridades, cônsules, embaixadores, policias, militares. Se a esquerda radicalizar a esse ponto, nós precisaremos ter uma resposta. E a resposta, pode ser via um novo AI-5, via uma legislação aprovada através de um plebiscito, como aconteceu na Itália. Alguma resposta vai ter que ser dada", afirmou ao canal de YouTube da jornalista Leda Nagle.

"Alguma resposta vai ter que ser dada porque é uma guerra assimétrica. Não é uma guerra onde você está vendo o oponente ali do seu lado e você tem que aniquila-lo como acontece nas guerras militares. É um inimigo interno de difícil identificação aqui dentro do país. "Espero que não chegue a esse ponto. Mas temos de estar atentos".

Defende o líder parlamentar do PSL que quer os protestos no Chile quer a eleição do peronista Alberto Fernández na Argentina são obra dos regimes da Venezuela e de Cuba. "Seria muita ingenuidade se a gente achasse que isso daí não é arquitetado e tudo surgisse ao mesmo tempo". "Cuba sempre foi um cancro aqui na região", concluiu.

Na última terça-feira, Eduardo já avisara que se o Brasil repetir as manifestações chilenas, "a esquerda vai ter que se ver com a polícia e se eles começarem a radicalizar do lado de lá, a gente vai ver a história se repetir, e aí é que eu quero ver como é que a banda vai tocar".

No ano passado, disse que bastariam um cabo e um soldado para fechar o Supremo Tribunal Federal (STF).

As reações chegaram em cadeia.

"Palavras repugnantes", resumiu o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia, do DEM, partido de centro direita.

Para o deputado Paulo Pimenta, do PT, de esquerda, ao contrário de 1968, "uma tentativa de reeditar o AI-5 agora levará para a prisão o seu autor". "Milicianos [membros da mafia carioca] não terão a sua ditadura".

"A apologia do filho do presidente ao AI-5, que significa o fecho do Congresso e a perseguição de opositores, é um crime contra a Constituição e as instituições democráticas", disse o deputado Marcelo Freixo (PSOL), o mentor de Marielle Franco, ao justificar pedido para ação do STF e do Conselho de Ética da Câmara no sentido de suspender o mandato de deputado de Eduardo Bolsonaro.

"Ameaçar a democracia é jogar o Brasil novamente nas trevas. O PSDB nasceu na luta pela volta da democracia no Brasil condena de maneira veemente as declarações do filho do presidente da República", referiu Bruno Araújo, presidente do PSDB, o partido de Fernando Henrique Cardoso, considerado de centro-direita.

Até o PSL, partido de Eduardo que se encontra divivido, criticou: "A primeira tentativa de golpe de estado dele foi tentar tomar o PSL".

Ao site Congresso em Foco, o jurista Antonio Machado falou em "inconstitucionalidade". "O cumprimento da Constituição não pode ser ignorado por ninguém. Ela garante o estado democrático de direito. Existem liberdades civis, direitos fundamentais, que não podem ser modificados por uma maioria eventual".

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