Exército tem ordem para disparar se palestinianos ameaçarem fronteira

O "Dia da Terra" palestiniano, assinalado na sexta-feira, marca o início de mais de seis semanas de protestos

O chefe do Estado-Maior israelita, Gadi Eisenkot, advertiu que os soldados dispararão se os palestinianos se aproximarem de modo ameaçador da fronteira que separa a faixa Gaza do território israelita durante uma grande manifestação prevista para sexta-feira.

O "Dia da Terra" palestiniano, assinalado na sexta-feira, marca o início de mais de seis semanas de protestos, que oficialmente são organizados pela sociedade civil, mas que, segundo Israel, são fomentados pelo movimento radical Hamas, que controla a faixa de Gaza.

O exército israelita destacou reforços para a fronteira com o enclave palestiniano como prevenção para sexta-feira e disse estar a preparar-se para todos os cenários, a começar por uma tentativa, organizada ou não, de forçar a barreira de segurança.

Uma centena de atiradores de elite foram requisitados, disse o general Eisenkot ao jornal Yediot Aharonot, segundo os extratos de uma entrevista a divulgar na sexta-feira.

"Em caso de perigo mortal (contra os soldados na fronteira), temos autorização para disparar. Não permitimos a infiltração em massa em Israel, nem que se danifique a barreira e muito menos que se alcancem as comunidades" israelitas perto da fronteira com Gaza, disse.

"A ordem é usar a força amplamente", adiantou.

Na faixa de Gaza, alvo de bloqueio israelita e egípcio, os palestinianos foram apelados a concentrarem-se em campos de tendas colocados ao longo da fronteira e a algumas centenas de metros da barreira de segurança.

Incidentes recentes, como tiros a partir da faixa de Gaza, a explosão de bombas que provocaram represálias israelitas e a incursão de palestinianos em território do Estado hebreu, fizeram subir a tensão entre os dois lados na zona da fronteira, embora os soldados israelitas disparem regularmente contra palestinianos que se aproximam demasiado da barreira durante manifestações.

O "Dia da Terra" assinala a 30 de março a morte em 1976 de seis árabes israelitas durante manifestações contra a confiscação de terras por Israel. Os árabes israelitas são os descendentes de palestinianos que não abandonaram as suas terras após a criação do Estado de Israel em 1948

O período de protestos dos palestinianos de Gaza deverá terminar com uma marcha até à fronteira no dia 15 de maio, o aniversário da criação de Israel, designado pelos palestinianos como 'Nakba' (catástrofe).

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