EUA investigam imposto francês contra empresas de Internet

A administração norte-americana anunciou o início de uma investigação contra a França sobre o imposto que o país pretende aplicar às grandes empresas de Internet, disse fonte oficial dos Estados Unidos.

O gabinete do representante do Comércio Externo norte-americano indicou na quarta-feira à noite que "o novo imposto, assim como declarações de funcionários franceses, sugerem que a França está a dirigir a taxa de forma injusta contra certas empresas tecnológicas dos Estados Unidos".

A investigação iniciada pelos Estados Unidos é semelhante aquela que levou ao conflito sobre as taxas alfandegárias entre Washington e Pequim e tem como objetivo determinar práticas comerciais injustas contra empresas norte-americanas.

A Assembleia Nacional francesa aprovou no passado dia 4 de julho um projeto-lei que vai ser enviado esta quinta-feira para o Senado e prevê a aplicação de um imposto às multinacionais de internet.

A França quer assumir-se como uma referência nesta questão, a nível global.

O texto pretende aplicar o chamado imposto "GAFA" (Google, Amazon, Facebook e Apple) para taxar em 03% as atividades digitais que obtenham lucros através dos utilizadores franceses.

Robert Lighthizer, representante para o Comércio Externo, disse através de um comunicado que os "Estados Unidos estão muito preocupados em relação ao imposto sobre serviços digitais que se espera venha a ser aprovado pelo Senado francês e que se vai aplicar de forma injusta contra as empresas norte-americanas".

O responsável pelo organismo acrescentou que o presidente Donald Trump pediu a investigação sobre os efeitos da legislação francesa para que seja determinado se se trata de uma medida discriminatória e se agrava ou restringe as práticas comerciais dos Estados Unidos.

Entretanto, o ministro francês da Economia e Finanças, Bruno Le Maire, sublinhou que o imposto nacional que entrou em vigor com caráter antecipado desde o dia 01 de janeiro tem como objetivo alcançar um acordo nas negociações no quadro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) para 2020, porque a "única solução é internacional".

O objetivo da nova legislação francesa é fazer com que as grandes multinacionais paguem mais impostos nos países em que efetivamente operam e não apenas nos Estados em que têm a sede social onde as condições tributárias são mais favoráveis.

Em Espanha, o governo incluiu no Programa de Estabilidade 2019-2020 o imposto conhecido em Madrid como "taxa Google" dirigido a multinacionais como a Google ou a Amazon esperando que a medida possa atingir 1.200 milhões de euros em taxas.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.