Espanha regista o primeiro caso. Número de mortos sobe para 259 na China

Um turista alemão está internado em Espanha e é o primeiro caso confirmado no país vizinho. Na China, o número de mortos subiu para 259, mais 46 em relação ao dia anterior.

O número de vítimas mortais do coronavírus subiu esta sexta-feira para 259, revelaram as autoridades chinesas, o que significa que houve mais 46 mortos em relação ao dia de quinta-feira. De acordo com a agência France-Presse, há mais 1347 infetados, o que faz o total aumentar para 11791.

O que continua a subir é também o número de países com casos de pessoas infetadas. Espanha registou esta sexta-feira o seu primeiro caso. "O Centro Nacional de Microbiologia confirma o primeiro caso de coronavírus na Espanha: um alemão em La Gomera. Segundo a declaração, o paciente está sob observação", noticia o jornal El Mundo.

Trata-se de um dos cinco turistas alemães que estavam sob observação em La Gomera (Canárias) e que tiveram contato com uma pessoa infectada no seu país.

Americanos irritam China

A China criticou fortemente esta sexta-feira o alerta emitido pelos Estados Unidos para que os seus cidadãos não viajem para a China, ou deixem o país com urgência, devido ao surto do novo coronavírus. Os EUA também acabaram por proibir a entrada em solo americano a estrangeiros que tenham estado na China.

"Algumas declarações e ações de autoridades americanas não são corretas nem apropriadas", declarou em comunicado o porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Hua Chunying, citado pela agência France-Presse. "Apesar de a OMS recomendar que não devia haver restrições de viagem, os EUA correram para o sentido oposto. Certamente não é um gesto de boa vontade."

O Departamento de Estado dos EUA elevou o alerta para o mais alto nível, pedindo aos americanos para evitar a China. O primeiro caso de transmissão pessoal do vírus em solo americano foi confirmado quinta-feira - um homem em Chicago que foi contagiado pela mulher, que viajou para Wuhan.

O secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, também foi criticado por dizer que o vírus, que matou 213 pessoas na China, poderia ajudar a "acelerar o regresso de empregos" para os EUA. Ross disse que o vírus era "muito infeliz", mas que também era um "fator de risco" para as empresas considerarem ao ponderar se devem operar na China.

Também o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, numa visita a Londres, esta semana, enfureceu Pequim ao considerar o Partido Comunista da China de "a ameaça central dos nossos tempos".

Esta sexta-feira, o Governo norte-americano anunciou que vai proibir a entrada de estrangeiros que tenham estado na China nos últimos 14 dias e impor uma quarentena aos viajantes de qualquer nacionalidade provenientes da província onde deflagrou a epidemia do novo coronavírus.

As medidas, que entram em vigor às 22:00 de domingo (hora de Lisboa), foram anunciadas pelo secretário da Saúde, Alex Azar, que declarou uma emergência de saúde pública devido à propagação do vírus.

Enquanto os estrangeiros que tenham visitado a China nos 14 dias anteriores ficarão impedidos de entrar em território norte-americano, os cidadãos dos EUA serão obrigados a ficar 14 dias de quarentena se tiverem visitado a província de Hubei, onde se encontra o epicentro da epidemia.

Os norte-americanos que tenham visitado outra província chinesa que não Hubei serão convidados a fazer uma "quarentena autoimposta", com supervisão.

Os familiares diretos dos norte-americanos e os residentes permanentes dos EUA serão sujeitos ao mesmo regime que os norte-americanos. "São medidas preventivas, o risco é baixo nos Estados Unidos", disse Alex Azar.

Todos os voos provenientes da China serão dirigidos para sete aeroportos norte-americanos: New York JFK, Chicago, San Francisco, Seattle, Atlanta, Honolulu e Los Angeles.

O anúncio do secretário da Saúde surge depois de o Departamento de Estado emitir um aviso contra viagens de nível 4 (o mais alto) e apelar aos norte-americanos na China que considerem sair do país por meios comerciais.

Surto chega à Suécia e ao Reino Unido

A Agência de Saúde Pública da Suécia anunciou o primeiro caso confirmado de contágio do novo coronavírus na região de Jönköping, sul deste país nórdico.

Trata-se de uma mulher que regressou à Suécia no passado dia 24, depois de visitar a zona de Wuhan, onde foi detetado em dezembro o vírus, e que entrou em contacto com as autoridades de saúde depois de apresentar um dos sintomas, tosse, do coronavírus.

Em comunicado, este órgão público explicou que a mulher foi internada no hospital provincial de Ryhov, onde foram realizadas análises que apresentaram resultados positivos, e encontra-se isolada, embora não esteja em estado grave.

"Não é de se estranhar que exista um caso isolado, pensando no quanto viajamos, entrava nos nossos prognósticos que ocorresse [um caso]. Situações semelhantes foram identificadas noutros países", salientou a chefe de departamento desta agência, Karin Tegmark Wisell, em comunicado.

No entanto, as autoridades de saúde suecas consideram "muito baixo" o risco de contágio neste país escandinavo, o segundo na região a confirmar um caso do novo coronavírus, depois da Finlândia.

Foram também registados no Reino Unido os dois primeiros casos de pessoas infetadas com o novo tipo de coronavirus. As autoridades britânicas informaram esta sexta-feira que os doentes são da mesma família e estão a receber "tratamento especializado" no serviço nacional de saúde britânico (NHS, na sigla em inglês).

"Podemos confirmar que dois pacientes na Inglaterra, que são membros da mesma família, testaram positivo para o coronavírus", referiu o diretor-geral da Saúde britânico Chris Whitty.

O responsável afirmou, em comunicado, que o serviço nacional de saúde britânico "está extremamente bem preparado" e a "trabalhar rapidamente para identificar os contactos que os pacientes tiveram, para evitar uma maior disseminação".

"Temos medidas robustas de controlo de infeções para responder imediatamente", garantiu Chris Whitty, acrescentando que o serviço nacional de saúde britânico está a "trabalhar em estreita colaboração com a Organização Mundial da Saúde e a comunidade internacional".

Os serviços de saúde britânicos não especificaram onde exatamente estes casos foram verificados nem se as pessoas em questão se deslocaram recentemente à China.

Dois casos na Rússia

O novo tipo de coronavírus também já chegou à Rússia. As autoridades do país afirmaram esta sexta-feira que os testes referentes a dois cidadãos chineses deram positivo para o novo vírus, avançou a AFP. Os dois casos foram registados nas regiões de Zabaikalsky e Tyumen, na Sibéria, afirmou a vice-primeira-ministra Tatyana Golikova.

O responsável referiu que as duas pessoas infetadas com o novo vírus estão em isolamento. Moscovo anunciou ainda que vai repatriar cidadãos russos que se encontram na China. Golikova afirmou que vão ser "retirados 300 cidadãos de Wuhan e 341 de Hubei" e que todos os que regressarem vão ficar de quarentena.

A China informou esta sexta-feira que o número de mortos por causa do novo coronavírus de Wuhan, capital da província de Hubei, no centro do país, subiu para 213 e o de pessoas infetadas para 9.692. O anterior balanço apontava para 7736 pessoas infetadas e 170 mortos.

Os números anunciados esta sexta-feira dizem respeito às últimas 24 horas e representam mais 43 mortos e quase mais dois mil casos de infeção em relação aos últimos dados avançados pelas autoridades chinesas. A grande maioria dos casos ocorreu na província de Hubei e na sua capital, Wuhan, o epicentro do surto.

Segundo o relatório diário da Comissão Nacional de Saúde, atualizado às 04:00 (20:00 de quinta-feira em Lisboa), o número de pacientes em estado grave é de 1527, enquanto 171 pessoas já receberam alta.

20 países afetados

Além da China e dos territórios chineses de Macau e Hong Kong, há mais de 50 casos confirmados do novo coronavírus em 20 outros países - na Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Singapura, Vietname, Nepal, Malásia, Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Austrália, Finlândia, Emirados Árabes Unidos, Camboja, Filipinas e Índia.

Devido à propagação deste novo vírus, os EUA recomendaram aos seus cidadãos para não viajarem para a China por causa do novo coronavírus, elevaram o nível de alerta em um nível e aconselharam os norte-americanos a abandonarem o território chinês.

Os norte-americanos "atualmente na China devem explorar a possibilidade de deixar o país usando meios comerciais", indicou o Departamento de Estado num comunicado publicado no seu 'site'.

Por outro lado, solicitou que "todos os funcionários não essenciais do governo dos Estados Unidos adiassem a sua viagem à China por causa do novo coronavírus".

Declarada emergência de saúde pública internacional

O surto começou em dezembro na cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, no centro da China, e na quinta-feira a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública internacional, num momento em que a epidemia se espalhou para mais de uma dúzia de países.

Uma emergência de saúde pública internacional supõe a adoção de medidas de prevenção e coordenação à escala mundial. Para a declarar, a OMS considera três critérios: uma situação extraordinária, risco de rápida expansão para outros países e resposta internacional coordenada.

Esta é a sexta vez que a OMS declara emergência de saúde pública internacional.

Depois da declaração de emergência de saúde pública internacional, a China garantiu ser capaz de "conter e derrotar" o novo coronavírus.

"A China está confiante e capaz de conter efetivamente a nova epidemia de coronavírus e, eventualmente, derrotá-la", declarou a Comissão Nacional de Saúde num comunicado publicado poucas horas após a decisão da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Embora 99% dos casos tenham sido diagnosticados na China, um comité de emergência de 15 especialistas, convocado pelo diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou o alerta internacional na tarde de quinta-feira.

O alerta, descartado há uma semana, foi declarado após o aparecimento de várias infeções entre pessoas de países como Alemanha, Japão, EUA ou Vietname em pacientes que não tinham viajado recentemente para a China.

"O Governo chinês atribui grande importância à prevenção e controlo da pneumonia causada pelo novo coronavírus e tomou as medidas mais estritas para conter a epidemia", sublinhou a Comissão Nacional de Saúde.

O organismo, acrescenta-se o comunicado, espera que "a comunidade internacional entenda e apoie os esforços da China para prevenir e controlar a epidemia e faça esforços conjuntos com a China para conter a epidemia e manter a segurança da saúde global".

83 britânicos e 27 estrangeiros deixam Wuhan

A cidade chinesa de Wuhan, epicentro do surto do novo coronavírus, está isolada do mundo desde há uma semana, como a quase totalidade da província de Hubei, onde vivem 56 milhões de pessoas, impedidas de deixar a região.

Um avião fretado pelo Reino Unido para repatriar britânicos e outros estrangeiros de Wuhan, de onde o novo coronavírus se propagou, descolou esta sexta-feira daquela cidade chinesa com 110 pessoas a bordo, anunciou o governo britânico.

O avião que transportava 83 britânicos e 27 estrangeiros, além de "um pequeno número de médicos", deixou Wuhan esta manhã (madrugada em Lisboa) e deve pousar às 13:00 (hora de Londres e de Lisboa) na base aérea de Brize Norton, cerca de 120 quilómetros a oeste de Londres, informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros em comunicado.

Londres planeara repatriar cerca de 200 pessoas, depois de receber a luz verde das autoridades chinesas no voo de evacuação.

"O avião está muito vazio", testemunhou Joe Armitt, um britânico a bordo, à televisão Sky News, que publicou uma foto de muitos lugares vagos na aeronave. A mesma testemunha afirmou que muitos expatriados não tiveram a oportunidade de chegar ao aeroporto de Wuhan a tempo.

Entre eles, Nick House, que tem dois filhos da sua mulher indonésia. O britânico explicou à Sky News que não foi informado se não três horas antes da partida do avião: "Não temos meios de transporte. Não conseguimos chegar ao aeroporto. Por isso, ainda estamos aqui", afirmou.

Outros britânicos tinham anteriormente dito à BBC que o cônjuge ou filhos chineses não tinham permissão para viajar pelas autoridades locais e, portanto, enfrentavam o dilema de serem repatriados sozinho ou ficarem na China com a família.

O Governo britânico fretou um avião espanhol, acordando com Madrid que os cidadãos do país vizinho a Portugal farão parte da viagem. Depois de Inglaterra, a aeronave voará para a Espanha.

Em solo britânico, as pessoas repatriadas serão transferidas para um prédio do serviço público de saúde, onde serão mantidos por 14 dias em quarentena, por precaução, anunciou o governo na quarta-feira.

Espanhóis chegam a Madrid procedentes da China

O avião fretado pelo Reino Unido que partiu na manhã desta sexta-feira da cidade chinesa de Wuhan, foco do novo coronavírus, chegará à base aérea de Torrejón, em Madrid, no início da tarde, com 26 pessoas a bordo, 19 das quais são espanholas.

O avião da companhia aérea espanhola Wamos Air, no qual viajam 120 pessoas, está programado para chegar a Londres às 13:00, horário local (a mesma hora em Lisboa), informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol num comunicado.

Após a escala na capital britânica, o avião voará para Madrid e a chegada a Torrejón "poderá ocorrer no início da tarde".

Além dos 19 espanhóis, estão no avião um cidadão da Polónia que reside em Espanha e uma chinesa casada com um espanhol e que está grávida, sendo a única cidadã da China a embarcar neste voo, disseram fontes diplomáticas à agência de notícias EFE.

Pequim não aceita que os cônjuges chineses de cidadãos estrangeiros possam viajar com estes, o que, no caso dos espanhóis, afetou seis casais mistos.

Dois casais de dinamarqueses e um cidadão norueguês também chegarão a Espanha no voo de Londres, de acordo com o comunicado do Ministério espanhol.

Uma vez na Espanha, os repatriados serão transferidos para o Hospital Militar Gómez Ulla, em Madrid, onde passarão uma quarentena de 14 dias, período máximo de incubação do coronavírus (2019-nCoV).

Portugueses que estão em Wuhan repatriados

No caso português, o avião que saiu na quinta-feira de manhã de Beja foi fretado pelo governo francês e parte para a China para repatriar pelo menos 133 cidadãos da União Europeia (UE), incluindo 17 portugueses.

O avião da companhia portuguesa Hi Fly está, no entanto, ainda em Paris. O voo está atrasado, uma vez que falta autorização das autoridades chinesas, conforme explicou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, esta sexta-feira à TSF e Antena 1.

Várias companhias aéreas decidiram suspender ou reduzir os seus voos para a China continental face à propagação do novo coronavírus (família de vírus que pode causar pneumonia viral).

Os portugueses a retirar da China serão rastreados antes de iniciarem a viagem e na chegada ao aeroporto, disse a ministra da Saúde, Marta Temido, adiantando que Portugal ainda está a estudar a hipótese de um espaço de confinamento.

"Cada um destes cidadãos terá uma consulta com a autoridade [de saúde] à chegada, que terá integrado um médico, que aplicará um inquérito epidemiológico e um inquérito sobre a história clínica recente de forma a garantir que qualquer suspeita é logo identificada e encaminhada adequadamente", avançou Marta Temido, que falou aos jornalistas à margem da apresentação do Plano de Ação para a Prevenção da Violência no Setor da Saúde, que decorreu no Ministério da Saúde.

A ministra explicou que o rastreio, que será feito através de uma avaliação clínica e física, que inclui a medição da febre, será feito no aeroporto, o que não quer dizer que não haja uma avaliação complementar se for necessária. De acordo com informação que dispõe, Marta Temido disse que vão regressar a Portugal cerca de dezena e meia de portugueses, mas ressalvou que "poderão ser menos, porque alguns concidadãos optaram por não deixar a China por várias razões".

A Coreia do Norte decidiu suspender todas as rotas aéreas e ferroviárias com a China a partir de hoje, para impedir a propagação do coronavírus de Wuhan, disse o embaixador britânico em Pyonyang, Colin Crooks.

"A Coreia do Norte introduz mais restrições de viagens com todos os voos e comboios entre a DPRK [sigla em inglês para República Popular Democrática da Coreia]) e a China a serem suspensos a partir de 31 de janeiro [hoje] em resposta ao coronavirus", escreveu o diplomata na rede social Twitter.

Essa nova medida soma-se às ativadas nos últimos dias pelo país asiático para evitar o contágio.

Em 22 de janeiro, o regime norte-coreano cancelou todas as viagens turísticas ao país e seis dias depois anunciou que todos os que chegassem da China ficariam em quarentena por um mês, embora se acredite que o período máximo de incubação do vírus são 14 dias.

Também a Rússia anunciou na quinta-feira a intenção de fechar 4250 quilómetros de fronteira com a China e o Cazaquistão ordenou o encerramento das ligações em autocarro, avião e comboio com o mesmo país vizinho.

Atualizado às 01.00

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