EUA culpam China de ciberespionagem e acusam dois espiões

As autoridades americanas revelaram nesta quinta-feira que acusaram dois hackers chineses ligados ao governo do seu país de ciberespionagem. Os EUA acusam assim a China de ter violado um pacto de 2015 e aumentado a tensão entre os dois países.

O Departamento de Justiça dos EUA acusou Zhu Hua e Zhang Shilong de ciberataques à Marinha ou a agências governamentais americanas como a NASA, e empresas relacionadas com tecnologia de aviação, espacial e de satélite, banca e finanças, tecnologia farmacêutica, ou exploração de gás e petróleo. Segundo a acusação, os dois terão levado a cabo ciberataques para roubar propriedade intelectual, negócios confidenciais e informação tecnológica.

As autoridades americanas, em conjunto com as britânicas, condenaram ainda nesta quinta-feira a China por violar um pacto de 2015 que visava limitar a ciberespionagem para fins de negócio, criticando os esforços da China para roubar informação secreta relacionada com comércio e tecnologias, e para comprometer tecnologia governamental.

Os dois cidadãos chineses, ligados ao ministério chinês da Segurança de Estado, foram acusados de conspiração para cometer intrusão de computadores, fraude financeira a partir de informação tecnológica, e roubo agravado de identidade. Segundo as autoridades americanas, os dois eram conhecidos na comunidade de segurança cibernética como Advanced Persistent Threat nível10.

"O objetivo da China é substituir os EUA como primeira superpotência e estão a usar métodos ilegais para o conseguir", disse o diretor do FBI Chris Wray numa conferência de imprensa, citado pela Reuters. "Nenhum país representa uma ameaça maior e mais severa" aos EUA do que a China, acrescentou Wray.

A ação judicial chega num momento já tenso entre os dois países, depois de Meng Wanzhou, diretor financeiro do gigante chinês de telecomunicações Huawei, ter sido detido no Canadá a pedido dos EUA.

"Esta campanha mostra que há elementos do governo chinês que não estão a manter os compromissos que a China fez diretamente com o Reino Unido num acordo bilateral de 2015", afirmou o governo britânico em comunicado.

Este é o mais recente ciberataque chinês denunciado pelos EUA numa sequência que terá começado em 2006. Em setembro e outubro últimos dois homens foram detidos na sequência de acusações semelhantes.

Segundo avançou à Reuters uma fonte que quis permanecer anónima, aos EUA e ao Reino Unido devem seguir-se na acusação à China países como a Austrália, Canadá, Japão, Holanda, Nova Zelândia, e Suécia. "É um sinal de que os EUA estão a construir uma coligação internacional para tornar a China responsável pelo seu comportamento flagrante", disse Dmitri Alperovitch, especialista em cibersegurança.

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