Emirados Árabes Unidos abrem consulado no Sara ocidental

A abertura desta 16.ª representação diplomática "reforça uma dinâmica de reconhecimento dos marroquinos do Saara" ocidental, declarou Nasser Bourita, chefe da diplomacia marroquina.

Os Emirados Árabes Unidos inauguraram esta quarta-feira um consulado geral em El Aiune, no Saara ocidental, na parte controlada por Marrocos desta antiga colónia espanhola com estatuto ainda indefinido, segundo a agência francesa France-Press (AFP).

A abertura desta 16.ª representação diplomática "reforça uma dinâmica de reconhecimento dos marroquinos do Saara" ocidental, com "um apoio cada vez mais importante da comunidade internacional", declarou Nasser Bourita, chefe da diplomacia marroquina.

O estatuto do Saara ocidental, classificado como "território não autónomo" pelas Nações Unidas na ausência de um acordo definitivo, opõe, há décadas, Marrocos aos separatistas da Frente Polisário, apoiada pela Argélia.

As negociações que envolvem Marrocos, a Polisário, a Argélia e Mauritânia estão suspensas há vários meses.

"Não é um ato trivial, é um ato que tem um significado político, jurídico, diplomático"

Apesar desse 'status quo', 15 países africanos já abriram representações diplomáticas desde o final de 2019, em El Aiune e Dakhla, um grande porto pesqueiro localizado mais a sul.

Os Emirados Árabes Unidos são o primeiro país árabe a estabelecer um consulado nesta área que Rabat considera uma das suas regiões administrativas.

"Não é um ato trivial, é um ato que tem um significado político, jurídico, diplomático", saudou Bourita.

A Polisário considera a abertura destas representações diplomáticas como uma "violação do direito internacional e [um] atentado ao estatuto jurídico do Saara Ocidental como território não autónomo".

De acordo com o último relatório da ONU, a situação é "globalmente calma" em ambos os lados da separação de 2700 quilómetros que divide a ex-colónia em dois territórios.

No entanto, o relatório menciona incidentes ocasionais em Guerguerat, na estrada que vai até à Mauritânia e à África ocidental, na zona tampão controlada pelas forças de paz da Missão das Nações Unidas para a organização de um referendo no Saara ocidental (Minurso) criada em 1991.

A imprensa marroquina noticiou nas últimas semanas bloqueios de estrada erguidos por separatistas sarauís que "fecham a passagem de fronteira", mas não foi possível confirmar esta informação.

Marrocos, que controla 80% da ex-colónia, os depósitos de fosfato e as águas pesqueiras, quer "autonomia controlada" do território.

A Polisário, que proclamou uma República Sarauí (RASD) no início dos anos 1980, faz campanha pela independência e pede um referendo de autodeterminação.

Mais ao norte, em território argelino, existem campos onde os refugiados vivem inteiramente dependentes da ajuda humanitária em diminuição, de acordo com a ONU, que na sua última resolução mostrou preocupação com o "sofrimento persistente" dos deslocados.

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