Embaixada chinesa em Londres envia funcionários para confirmar nacionalidade de 39 mortos

Oito das 39 pessoas encontradas mortas são mulheres e 31 são homens, todos de nacionalidade chinesa. As vítimas foram descobertas na câmara frigorífica de um camião em Grays, Essex, a cerca de 30 quilómetros da capital britânica.

A China anunciou esta quinta-feira ter enviado funcionários da sua embaixada no Reino Unido para averiguar e confirmar as informações que referem que 39 pessoas encontradas mortas num camião, em Inglaterra, têm nacionalidade chinesa.

As vítimas foram encontradas na quarta-feira na câmara frigorífica de um camião em Grays, Essex, a cerca de 30 quilómetros da capital britânica.

"Funcionários da embaixada chinesa no Reino Unido estão a deslocar-se para o local para proceder à análise" das informações, avançou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, numa mensagem divulgada esta quinta-feira na rede social Weibo.

A polícia foi alertada na quarta-feira cerca das 01:40 (mesma hora em Lisboa) pelos serviços de emergência para a presença de um camião com 39 corpos dentro numa zona industrial de Grays, em Essex, perto do porto de Purfleet, no Tamisa.

O motorista do camião, de 25 anos, foi identificado como Mo Robinson, residente na cidade de Portadown, localizada no condado de Armagh, na Irlanda do Norte, tendo sido detido sob suspeita de homicídio.

Segundo a polícia do condado de Essex, a investigação em curso é a maior que já fez, sabendo-se já que oito das 39 pessoas encontradas mortas são mulheres, e 31 são homens, todos de nacionalidade chinesa.

"Há uma operação em curso, neste momento não podemos estimar o tempo que irá demorar", afirma a polícia num comunicado hoje divulgado e no qual acrescenta que cada cadáver será submetido a uma autópsia para estabelecer a causa da morte e identificar a pessoa.

Por seu lado, a agência britânica de combate à criminalidade (National Crime Agency) adiantou que está a trabalhar para identificar "grupos criminosos organizados que possam ter participado" no caso.

O camião, registado na Bulgária, é, segundo o Governo búlgaro, propriedade de uma empresa detida por uma mulher de nacionalidade irlandesa.

Segundo as autoridades, o camião e o atrelado, que levava as pessoas dentro, fizeram percursos diferentes antes de chegarem à área industrial em Grays.

"Tragédia inimaginável", diz o primeiro-ministro britânico

A polícia britânica confirmou que o atrelado entrou no Reino Unido na noite de 22 de outubro às 00:30 (mesma hora em Lisboa) pelo porto de Purfleet, procedente de Zeebruges, na Bélgica, enquanto o camião partiu da Irlanda do Norte.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros búlgaro precisou que o camião, da marca sueca Scania, está registado na cidade portuária búlgara de Varna, junto ao Mar Negro, mas essa será a única ligação ao país, onde não há registo de passagem do veículo desde 2017.

O incidente, considerado pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, como "uma tragédia inimaginável", voltou a motivar pedidos de combate ao tráfico humano.

Na quarta-feira, a polícia do condado de Kent descobriu nove pessoas vivas num camião numa estrada rodoviária no sudeste de Londres que foram, posteriormente, transferidos para serviços de imigração.

Um relatório sobre crime organizado feito pela agência britânica de combate à criminalidade (National Crime Agency) refere um crescimento dos números de pessoas traficadas a partir da Bélgica após o encerramento do campo para migrantes na cidade de Dunkirk em 2017.

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