É açoriano e vota Hillary na convenção democrata

Nascido no Pico, Açores, há 61 anos, António Cabral participa na convenção democrata, em Filadélfia, entre os dias 25 e 28

O luso-americano António Cabral é um dos 2220 delegados democratas que no final deste mês de julho deverão eleger Hillary Clinton como a candidata presidencial durante a convenção nacional do partido norte-americano.

"Depois de muitos anos na política, decidi participar pela primeira vez como delegado à convenção nacional. Espero que esta experiência me ajude a explicar melhor à comunidade como é que o processo político funciona e a importância de participarem", disse o político à Lusa.

A convenção democrata acontece entre os dias 25 e 28 de julho na cidade de Filadélfia, no estado da Pensilvânia, que vai acolher cerca de 4800 delegados vindos de todo o país.

Deputado considera positiva disputa entre Hillary Clinton e Bernie Sanders

Nascido na ilha do Pico há 61 anos, António Cabral veio para os Estados Unidos com os pais quando era ainda adolescente. Neste ano, celebrou 25 anos como deputado estadual em Massachusetts.

"Sou fã da Hillary Clinton há muitos anos. Votei nela quando perdeu as primárias contra [Barack] Obama, em 2008. Quando tornou a candidatar-se neste ano, decidi logo que iria apoiá-la", explica.

Quanto à disputa entre Bernie Sanders e Hillary Clinton nas primárias, Cabral considera que a mesma "foi muito positivo para o partido".

"Deu a oportunidade de criar um debate real sobre temas importantes. Há muitos que preferiam que a escolha tivesse ficado resolvida mais cedo, mas a verdade é que tornou Hillary uma melhor candidata", disse.

Cabral diz também que uma das maiores vantagens da campanha do senador de Vermont foi "ter conseguido mobilizar uma juventude que nunca tinha percebido a importância de ser politicamente ativa".

Apesar de Sanders ter conquistado 1879 delegados e superdelegados, contra os 2811 de Clinton, o candidato continua a prometer levar a disputa até à convenção.

Cabral não acredita que esta posição vá prejudicar o partido nas eleições presidenciais de 8 de novembro.

"Acho que ele deve continuar a fazer o que já começou, ao desmontar a sua campanha mas continuar a tentar influenciar a plataforma do partido", afirma.

O deputado estadual acredita que "quando chegar a altura, Sanders vai ser um bom democrata e tornar-se um bom companheiro de campanha para Hillary".

Segundo uma sondagem recente, 22% dos eleitores de Sanders ponderam votar no republicano Donald Trump. Cabral acredita que esse número vai descer nos próximos meses e que será irrelevante nas urnas.

"Há sempre casos extremos dentro de uma base eleitoral, mas neste caso quero crer que serão muito poucos. A escolha é clara. Não há alternativa", constata.

O político sublinha que o atual chefe de Estado norte-americano "tem feito um trabalho fantástico" nos últimos oito anos e que "Clinton pode continuar este seu legado e ampliar para novas áreas" caso o partido consiga reconquistar o controlo do Senado.

"Há muitas coisas que Obama queria fazer e não pode, por causa da oposição nas duas alas do Congresso. Acho que temos boas possibilidades no Senado e isso vai permitir avançar em áreas importantes", disse.

Jornalista da agência Lusa, em New Bedford

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